Apesar dos apelos da Arábia Saudita, Donald Trump recuou e suspendeu ataques aéreos contra os rebeldes houthis no Iêmen, temendo uma escalada militar e a alta no preço do petróleo. Aproveitando a hesitação dos EUA e a fragilidade das forças iemenitas apoiadas por Riade, o grupo pró-Irã intensificou sua ofensiva, assumindo o controle estratégico do litoral do Mar Vermelho e do estreito de Bab el-Mandeb, o que já resultou em centenas de mortos e cerca de 130 mil deslocados.
Não agravar uma crise que já existe: essa parece ser a linha de atuação de Washington diante dos houthis, enquanto os rebeldes iemenitas continuam avançando e atacando diretamente o vizinho saudita. No domingo (20), bombardeiros estratégicos americanos B-52, aparentemente prontos para decolar, teriam recebido finalmente a ordem de permanecer na pista.
Segundo o New York Times, o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, governante de fato da Arábia Saudita, fez um apelo ao presidente americano para intervir e atacar os houthis. Ele "implorou mais uma vez para que interviesse para conter o rápido avanço" dos houthis, mas Donald Trump, depois de considerar a possibilidade, voltou atrás e desistiu "pelo menos por enquanto" de realizar ataques desse tipo, segundo depoimentos de autoridades do governo americano ouvidas sob condição de anonimato pelo jornal. A Casa Branca se recusou a comentar as informações.
O presidente americano, por sua vez, afirmou no domingo que os houthis haviam concordado em não atacar os Estados Unidos, segundo declarações relatadas por um jornalista da Fox News, aparentemente para justificar sua decisão de não lançar ataques contra o grupo.
Controle do estreito de Bab el-Mandeb
Um bombardeio contra os rebeldes foi descartado, já que uma nova escalada na região poderia elevar os preços do petróleo, com consequências potencialmente desastrosas para a economia mundial.
A provável hesitação americana é, de qualquer forma, uma verdadeira oportunidade para os houthis, cuja ofensiva rapidamente desorganizou as forças iemenitas. Em apenas dez dias, os rebeldes, estimados em 100 mil combatentes, segundo relatórios recentes, conseguiram assumir o controle de pontos estratégicos do estreito de Bab el-Mandeb.
Apesar do apoio de Riade, o Exército do presidente al-Alimi mostrou-se desorganizado. E as consequências vão além de um simples revés militar: é a própria coalizão em torno dos Estados Unidos que aparece agora fragilizada.
No Iêmen, a ofensiva-relâmpago dos houthis nas últimas semanas deixou centenas de mortos e cerca de 130 mil deslocados, segundo números divulgados na segunda-feira (21), pela ONU. Os combatentes pró-Irã controlam agora todo o litoral banhado pelo mar Vermelho, reforçando seu domínio sobre Bab el-Mandeb, que liga a Ásia à Europa através do canal de Suez.
A guerra começou em 2014, quando os houthis tomaram a capital, Sanaa, e depois outras regiões, provocando, em março de 2015, uma intervenção militar liderada pela Arábia Saudita. A frágil trégua estabelecida em 2022 entre os beligerantes ruiu em julho, quando os houthis desafiaram o controle de Riade sobre o espaço aéreo iemenita ao autorizar a aterrissagem de um avião iraniano no Iêmen.