Logo no início de seu discurso, pronunciado em inglês, o papa lamentou o uso de "uma diplomacia da força, de indivíduos ou grupos de aliados", em detrimento do diálogo. "A guerra voltou a estar na moda e um fervor bélico se alastra", disse o sumo pontífice.
Segundo o papa, essa dinâmica ameaça a ordem mundial estabelecida após a Segunda Guerra. "Já não se busca a paz como um presente ou um bem desejável em si (...), mas se busca por meio das armas, como condição para afirmar a própria dominação", afirmou o chefe da Igreja Católica. A Santa Sé mantém relações diplomáticas com 184 Estados, cerca de metade deles representados por embaixadas em Roma.
Além dos conflitos entre Ucrânia e Rússia e na Faixa de Gaza, o contexto internacional é marcado pela preocupação europeia com uma possível tomada de controle da Groenlândia — território autônomo dinamarquês — pelos Estados Unidos — país onde nasceu o sumo pontífice —, o que ameaçaria a integridade da Otan.
Leão XIV também manifestou sua "preocupação" com "o agravamento das tensões no mar do Caribe e ao longo das costas americanas do Pacífico", mencionando a situação na Venezuela, onde o presidente Nicolás Maduro foi deposto e capturado pelos Estados Unidos.
Na quinta‑feira, Trump anunciou que, após ataques a embarcações no Caribe e no Pacífico, os EUA realizariam ataques "em terra" contra os cartéis. Leão XIV voltou a pedir "respeito à vontade do povo venezuelano e compromisso com a proteção dos direitos humanos e civis de todos".
Violências na Cisjordânia
Realizada no início de janeiro, a cerimônia de votos ao corpo diplomático é um dos eventos mais políticos do ano e oferece ao papa a oportunidade de traçar um panorama dos conflitos internacionais e reafirmar a posição da Santa Sé sobre temas sociais.
Ao abordar a situação no Oriente Médio, Leão XIV reiterou o apoio do Vaticano à solução de dois Estados e denunciou "o aumento da violência na Cisjordânia cometida contra a população civil palestina, que tem o direito de viver em paz em sua própria terra".
Desde o ataque sem precedentes do Hamas a Israel, em 7 de outubro de 2023, a violência de alguns colonos israelenses contra civis palestinos na Cisjordânia ocupada aumentou, e as agressões contra comunidades locais se multiplicaram.
Entre os temas sociais, o bispo de Roma denunciou a dependência de jovens às drogas, "flagelo da humanidade", e lembrou a oposição da Igreja ao aborto, à gestação por substituição e à eutanásia. Ele também condenou o aumento das violações à liberdade religiosa no mundo, lamentando que "a perseguição aos cristãos continue sendo uma das crises de direitos humanos mais difundidas", afetando "mais de 380 milhões de fiéis em todo o mundo".
Com agências