Guerra na Ucrânia: rodada de negociações entre Moscou e Kiev foi 'construtiva', diz Zelensky

A segunda rodada de negociações entre a Rússia e a Ucrânia nos Emirados Árabes Unidos terminou neste sábado (24) e foi considerada "construtiva" pelo presidente ucraniano Volodymyr Zelensky. Em mensagem publicada no X, ele disse que as conversas com a Rússia podem ser retomadas na próxima semana.

24 jan 2026 - 14h16

O foco central das negociações, que começaram na sexta (23) em Abu Dhabi, foi definir "possíveis parâmetros para encerrar a guerra", escreveu Zelensky. Ele destacou a importância do monitoramento e da supervisão dos Estados Unidos no processo e nas garantias de segurança.

Segundo o presidente ucraniano, representantes militares já elaboraram uma lista de temas para o próximo encontro. Ele reiterou que o sucesso das discussões, que visam encerrar o conflito desencadeado pela invasão russa, depende da concessão da região do Donbass.

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O Kremlin reiterou, na sexta, que Kiev deve retirar suas tropas de áreas do leste da Ucrânia, hoje em grande parte controladas por Moscou. Zelensky afirmou ter obtido do presidente americano, Donald Trump, a garantia de um acordo — ainda a ser finalizado — sobre garantias de segurança para a Ucrânia durante encontro à margem do Fórum Econômico de Davos, na quinta(22).

A questão das condições de segurança para encerrar a guerra foi levantada pela delegação americana em Abu Dhabi, segundo o presidente ucraniano, após ele ter recebido um relatório sobre o resultado das negociações neste sábado.

As discussões nos Emirados Árabes Unidos ocorrem sem participação dos países da União Europeia, que temem que Washington pressione Kiev a aceitar um acordo considerado favorável a Moscou. Em Davos, na quinta-feira, Zelensky disse que a Europa está "fragmentada" e "perdida" quando se trata de influenciar as posições de Donald Trump, e afirmou que falta "vontade política" ao continente diante de Vladimir Putin.

A Ucrânia denunciou os bombardeios russos durante a noite de sexta, que deixaram pelo menos um morto e 29 feridos, antes do segundo dia de negociações em Abu Dhabi. "Seus mísseis não atingem apenas pessoas, mas também a mesa de negociações", disse Zelensky.

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O ataque russo deixou 1,2 milhão de casas sem eletricidade em todo o país. Segundo o prefeito de Kiev, Vitali Klitschko, cerca de 6.000 prédios da capital ficaram sem calefação pela manhã. Uma pessoa morreu na cidade, e outras quatro ficaram feridas — três delas foram hospitalizadas. Pelo menos 19 pessoas, incluindo uma criança, ficaram feridas na segunda maior cidade do país, Kharkiv.

A Rússia, que vem bombardeando a rede elétrica ucraniana desde o início da invasão em 2022, promove neste inverno sua campanha mais intensa contra instalações energéticas, deixando moradores de todo o país com apenas algumas horas de energia por dia — e alguns, sem aquecimento ou água, em pleno inverno.

Mais de 800 mil residências em Kiev e outras 400 mil na região setentrional de Tchernihiv ficaram sem eletricidade após os ataques mais recentes, informou o vice-primeiro-ministro Oleksiy Kuleba.

Segundo a Força Aérea ucraniana, a Rússia lançou 375 drones e 21 mísseis, incluindo dois mísseis balísticos Tsirkon, raramente usados, durante o ataque noturno. O chefe da administração militar de Kyiv, Timour Tkachenko, relatou ataques em pelo menos quatro distritos. Um estabelecimento médico está entre os prédios danificados.

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Antes deste sábado, Kiev já havia sido alvo de ataques noturnos maciços desde o Ano-Novo, que deixaram centenas de edifícios residenciais sem eletricidade e sem aquecimento. Em Kharkiv, alvo frequente situada a cerca de 29 km da fronteira russa e muito mais próxima das linhas de frente do leste, 25 drones atingiram diversos bairros, segundo o prefeito Ihor Terekhov.

Ministro ucraniano denuncia 'cinismo' russo

O ministro das Relações Exteriores da Ucrânia, Andriy Sybiha, denunciou neste sábado os ataques russos. "Com cinismo, (Vladimir) Putin ordenou um ataque brutal e massivo de mísseis contra a Ucrânia no momento em que delegações se reúnem em Abu Dhabi para avançar no processo de paz conduzido pelos americanos", declarou no X.

"Esforços de paz? Encontro trilateral nos Emirados Árabes Unidos? Diplomacia? Para os ucranianos, foi mais uma noite de terror russo", disse Sybiha.

Com agências

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