Governo italiano revoga autorização para projeto de grupo brasileiro na Sardenha

Decisão contra glamping de luxo em Cala Finanza é tomada após pressão de ambientalistas

2 jul 2026 - 13h57

O governo italiano revogou nesta quinta-feira (2) a autorização concedida ao projeto de construção de um empreendimento de luxo da empresa Tavolara Bay Srl, pertencente ao grupo brasileiro JHSF Participações, controlador da rede hoteleira de luxo Fasano, em Cala Finanza, na costa nordeste da ilha da Sardenha.

    A decisão foi tomada pelo Departamento para o Sul, vinculado à Presidência do Conselho de Ministros, que anulou a autorização emitida em 6 de fevereiro de 2026, que previa a implementação de um "glamping" - termo que une as palavras "glamour" e "camping" para identificar um acampamento de luxo em meio à natureza - à beira-mar, de frente para a ilha de Tavolara.

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    Segundo o prefeito de Loiri Porto San Paolo, Francesco Lai, a revogação decorre da decisão da própria Câmara Municipal de retirar a resolução aprovada em novembro de 2025 que havia servido de base para a autorização governamental.

    "A revogação foi adotada justamente porque o município revogou posteriormente a resolução política" que sustentava o procedimento, afirmou.

    A suspensão ocorre poucos dias após uma sessão extraordinária do Conselho Municipal e na sequência de uma ampla mobilização popular, que reuniu moradores, ambientalistas e associações em protestos contra o empreendimento em Cala Finanza.

    A decisão, entretanto, refere-se exclusivamente ao projeto de glamping. Segundo esclarecimentos do governo regional, nunca foi protocolado um pedido oficial para a construção de um resort de luxo inicialmente associado ao mesmo investimento.

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    Autoridades da Sardenha comemoraram a medida como uma confirmação da posição adotada desde o início da controvérsia.

    O vice-governador Giuseppe Meloni afirmou que a administração regional contestou o projeto em todas as instâncias institucionais, argumentando que ele contrariava o Plano Paisagístico Regional, a legislação ambiental e as competências urbanísticas asseguradas à Sardenha por seu estatuto especial.

    A governadora da Sardenha, Alessandra Todde, também celebrou a revogação. Segundo ela, a decisão demonstra que procedimentos extraordinários, como os previstos para as Zonas Econômicas Especiais (ZEE), não podem ser utilizados para contornar normas de proteção territorial e ambiental.

    "Nunca foi uma batalha contra ninguém, mas sim uma batalha pelo cumprimento das regras", declarou ela.

    O Movimento Cinco Estrelas (M5S) classificou a revogação como "uma vitória para a Sardenha", afirmando que a mobilização social e institucional impediu que mecanismos destinados a acelerar investimentos fossem utilizados para flexibilizar a proteção da costa.

    O eurodeputado Giuseppe Antoci destacou ainda que uma petição com mais de 100 mil assinaturas e iniciativas junto às instituições europeias contribuíram para aumentar a pressão sobre o governo italiano.

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    Já a oposição regional também reivindicou participação no desfecho. O partido conservador Força Itália (FI) afirmou que a preservação de Cala Finanza foi resultado da mobilização da sociedade sarda, enquanto representantes dos Irmãos da Itália (FdI) criticaram o governo regional por, segundo eles, tentar transferir responsabilidades ao Executivo nacional após a repercussão do caso.

    Em nota, a Tavolara Bay Srl declarou estar "profundamente perplexa" com a revogação da autorização e afirmou que sempre atuou em conformidade com o procedimento legal relacionado à Zona Econômica Especial.

    Além disso, a empresa informou que está analisando o caso com sua equipe jurídica para definir os próximos passos "visando honrar nossos compromissos de longo prazo".

    "Como investidores privados, queremos apenas expressar nosso profundo espanto e grande preocupação com a incerteza do quadro legislativo", reforçou o grupo brasileiro. .

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