Em ascensão nas pesquisas eleitorais na Itália, o partido de extrema-direita Futuro Nacional, do general Roberto Vannacci, propôs vetar conteúdos sobre gênero e homossexualidade na TV diurna, além de extinguir a união civil homoafetiva e criminalizar a redesignação sexual em menores. Com 7% das intenções de voto, o avanço de Vannacci ameaça a coalizão da premiê Giorgia Meloni e alarma a política italiana com pautas ultraconservadoras e declarações de apologia ao fascismo.
O partido Futuro Nacional (FN), liderado pelo general de ultradireita Roberto Vannacci e que está em ascensão nas pesquisas de intenção de voto na Itália, divulgou nesta semana a segunda parte de seu programa eleitoral, que inclui uma proposta para restringir conteúdos sobre homossexualidade na televisão.
O documento chega na esteira do crescimento do FN em vista das eleições legislativas do ano que vem, movimento que tem causado dor de cabeça ao governo da premiê de direita Giorgia Meloni.
O partido de Vannacci quer proibir conteúdos definidos como "homossexualistas" ou sobre questões de gênero na TV entre 6h e 23h, com o objetivo de manter as crianças distantes desse tema.
A medida seria acompanhada por um sistema de sanções que poderia levar até à suspensão da licença da emissora.
Além disso, o Futuro Nacional quer proibir cirurgias de redesignação sexual e terapias hormonais para menores de idade, transformando essas práticas em "crimes universais" passíveis de punição na Itália mesmo quando realizadas no exterior. O partido também propõe a abolição das uniões civis entre pessoas do mesmo sexo.
Vannacci ganhou os holofotes em 2023, quando publicou um livro recheado de teses homofóbicas e racistas. Na obra, o general diz que homossexuais "não são normais" e denuncia um suposto "lobby gay internacional" para promover relações homoafetivas.
Além disso, o general afirma na obra que os "traços físicos" da italiana Paola Egonu, uma das melhores jogadoras de vôlei do mundo e filha de nigerianos, "não representam a italianidade".
Atraído pela atenção dada a Vannacci, o vice-premiê e ministro da Infraestrutura da Itália, Matteo Salvini, o convidou para integrar o seu partido, a nacionalista Liga, e deu a ele até o cargo de vice-secretário da legenda, além de papel de destaque nas eleições europeias de 2024, quando o general foi o segundo candidato mais votado no país.
No entanto, em fevereiro de 2026, Vannacci abandonou Salvini e passou a fazer oposição a Meloni, tornando-se uma dor de cabeça para a coalizão da premiê em vista das eleições do ano que vem.
As pesquisas colocam o FN com cerca de 7% das intenções de voto, à frente da Liga (6%) e colado no conservador Força Itália (FI), do vice-premiê e ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, com 8%. Já o Irmãos da Itália (FdI), partido de Meloni, lidera com 27%, seguido de duas legendas de oposição: o progressista Partido Democrático (PD), com 21%, e o populista Movimento 5 Estrelas (M5S), com 13%.
O temor da premiê é de que o general roube votos da aliança governista e facilite uma vitória da centro-esquerda no pleito do ano que vem.
Além das polêmicas sobre questões de gênero, Vannacci também já disse que o ditador fascista Benito Mussolini era um "estadista" que fez "coisas boas", sugeriu a criação de salas de aula separadas para crianças com deficiências intelectuais, prometeu abolir o crime de feminicídio e defende um modelo de "patriarcado mediterrâneo", com a formação de "machos fortes para proteger as mulheres".