Com informações de Michel Paul, correspondente da RFI em Jerusalém
Sob pressão máxima dos Estados Unidos, o gabinete de segurança israelense se reuniu até tarde na noite de domingo antes de confirmar sua decisão: o posto de Rafah será reaberto.
Apesar da indignação dos ministros israelenses de extrema direita, Itamar Ben Gvir e Benlalel Smotrich, que classificaram a medida como um "erro histórico", a decisão foi tomada.
"Dentro do plano em 20 pontos do presidente Trump, Israel aceitou uma reabertura limitada do posto de fronteira de Rafah, destinada apenas a pedestres e sujeita a um mecanismo completo de inspeção israelense", publicou o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu na rede social X.
O posto de fronteira de Rafah é um ponto de entrada essencial para ajuda humanitária na Faixa de Gaza. Sua reabertura é reivindicada há muito tempo pelas Nações Unidas e pela comunidade humanitária. Trata-se de uma mudança significativa, mesmo que a abertura seja apenas para pedestres, sem transporte de mercadorias. O verdadeiro ponto de virada é moral: Israel abriu mão de seu último instrumento de pressão.
Enquanto forças especiais realizam buscas em um cemitério de Gaza com "otimismo cauteloso" para localizar o corpo do policial Ran Gvili, o veredito político é claro: assim que a busca for considerada "concluída", com ou sem a devolução do último refém, a barreira será removida.
No domingo, a mídia israelense informou que os emissários do presidente norte-americano Donald Trump, Jared Kushner e Steve Witkoff, pressionaram o primeiro-ministro Netanyahu para reabrir Rafah sem esperar a devolução do corpo de Ran Gvili.
A família do refém havia solicitado às autoridades israelenses que não avançassem para a segunda fase do cessar-fogo sem a devolução do corpo.
Ao final da sessão, o foco se voltou para o Oriente Médio. O gabinete israelense aprovou os preparativos de emergência para o interior do país, sinal de que Israel ainda leva muito a sério a possibilidade de um ataque norte-americano iminente contra o Irã.