A reunião do G20 das Finanças teve início nos EUA sob forte pressão de Washington para elevar barreiras comerciais contra a China e endurecer sanções econômicas ao Irã. Embora o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, aponte o crescimento como prioridade, o encontro é marcado por divisões entre as potências mundiais, evidenciadas pela ausência de um comunicado conjunto e por impasses no alinhamento de posições entre aliados históricos.
Começou nesta segunda-feira (31), em Asheville, na Carolina do Norte, a reunião do G20 das Finanças, sob presidência dos Estados Unidos, que têm pressionado por um aumento das medidas econômicas contra o Irã e a China.
O encontro reúne ministros das Finanças e presidentes de bancos centrais de 20 das maiores economias do mundo, além da União Africana e da União Europeia.
Na abertura da primeira sessão plenária, o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, definiu o crescimento econômico como a "primeira prioridade do G20". Mas o tom foi de cobrança: Bessent pediu que os parceiros revejam as condições comerciais com Pequim e elevem barreiras contra as exportações do gigante asiático.
"O mundo não pode permitir uma China com superávit comercial de US$ 1,2 trilhão. A economia chinesa está bastante fraca. Eles estão tentando sair da crise apostando em exportações, mas precisam reequilibrar sua economia", afirmou o secretário em entrevista à Reuters publicada na véspera do encontro.
Outro tema central é a pressão dos Estados Unidos por sanções mais duras contra o Irã, poucas horas após ataques militares entre os dois países. Bessent agradeceu à Europa pelo "forte apoio" às medidas propostas por Washington, que preveem sanções contra países que realizarem negócios com a República Islâmica.
No entanto, o ministro da Economia da Itália, Giancarlo Giorgetti, definiu a reunião do G20 como "complicada". "O fato de não haver um comunicado conjunto já demonstra que, sobre alguns temas decisivos, os 20 não estão de acordo. É um período de grandes mudanças", disse Giorgetti a jornalistas, à margem da cúpula.
"A Europa tem um mecanismo de coordenação, mas precisa encontrá-lo, antes de tudo, com seus aliados históricos, os Estados Unidos, algo que neste momento não está exatamente delineado", afirmou.