O senador e ex-líder da centro-esquerda italiana Dario Franceschini, de 67 anos, revelou que enfrenta a doença de Parkinson desde 2020. O ex-ministro da Cultura afirmou que manterá sua atuação política e que decidiu falar abertamente para motivar outros pacientes a não se isolarem. A declaração gerou forte onda de solidariedade entre diversas lideranças políticas do país, que destacaram sua coragem e determinação diante da enfermidade.
O ex-líder da centro-esquerda italiana Dario Franceschini, 67, revelou publicamente que luta há seis anos contra a doença de Parkinson.
O anúncio, feito em entrevista ao jornal Corriere della Sera, gerou uma onda de solidariedade entre expoentes políticos de diferentes espectros.
"Tenho Parkinson. Fui diagnosticado em novembro de 2020", afirmou o senador do Partido Democrático (PD), ex-ministro da Cultura e ex-secretário nacional da legenda.
"O diagnóstico foi um golpe tremendo. Tive um infarto em 2014, além de outros problemas de saúde que se resolveram. Mas aquilo eram solavancos no caminho. Parkinson é uma doença diferente: fica com você para sempre", acrescentou.
Franceschini contou que, inicialmente, tentou esconder a condição. "Quem tem Parkinson tende a sentir vergonha. Fala com dificuldade, arrasta as palavras, caminha sem firmeza, como se tivesse bebido. Outros são sacudidos por tremores incontroláveis", descreveu.
Apesar disso, o político destacou a importância de manter-se ativo. "É fundamental não desanimar, acordar de manhã com algo a realizar. Para combater o Parkinson, além dos medicamentos, é crucial preencher os dias e dizer a si mesmo: não vou desistir, vou continuar vivendo, vou continuar presente", disse.
Foi essa convicção que o levou a falar abertamente sobre a doença. "Falar publicamente sobre minha condição, claramente, é muito difícil para mim. Mas pensei muito: pesando prós e contras, me convenci de que é justo descrever esta fase da minha vida para dizer a todos os outros pacientes com Parkinson que não se isolem e continuem vivendo", explicou.
Segundo Franceschini, ele vai manter a atividade política, já que "o Parkinson afeta o corpo, e não as capacidades cognitivas".
A revelação provocou reações imediatas. O líder da Aliança dos Verdes e da Esquerda (AVS), Angelo Bonelli, classificou o depoimento como exemplo de "dignidade e coragem". Já o líder do partido centrista Ação, Carlo Calenda, afirmou sentir "profunda solidariedade" e lembrou que seu avô, o cineasta Luigi Comencini, lutou contra o Parkinson e continuou a fazer filmes mesmo doente.
O presidente do populista Movimento 5 Estrelas (M5S), o ex-premiê Giuseppe Conte, também se pronunciou e elogiou a "grande perseverança e a sensibilidade institucional" daquele que foi seu ministro da Cultura entre 2018 e 2019. "Precisamos de você; sua determinação em não deixar que as dificuldades o dominem é importante, assim como a luta que todos podemos travar juntos em prol daqueles que enfrentam desafios diários de saúde", afirmou.
A doença de Parkinson é um distúrbio neurológico crônico, progressivo e incurável que afeta o sistema nervoso central e compromete o controle dos movimentos do corpo.