O ex-bancário Vincenzo Coviello irá a julgamento na Itália após o Ministério Público concluir que ele espionou dados de mais de 3.500 clientes do grupo Intesa Sanpaolo, incluindo a primeira-ministra Giorgia Meloni e o presidente Sergio Mattarella. Acusado de acesso ilegal a sistemas e ameaça à segurança do Estado, Coviello realizou acessos compulsivos durante anos até ser demitido. Outros sete funcionários da instituição também são investigados por condutas semelhantes em menor escala.
O Ministério Público de Bari concluiu nesta terça-feira (15) a investigação contra um ex-funcionário do grupo bancário Intesa Sanpaolo suspeito de acessar, de forma clandestina e sistemática, dados financeiros e pessoais de milhares de clientes, incluindo algumas das principais autoridades da Itália.
Segundo os investigadores, Vincenzo Coviello, de 54 anos, ex-funcionário da agência do banco em Bisceglie, utilizou suas credenciais profissionais durante anos para monitorar informações de 3.572 clientes. Ele foi demitido pelo banco em agosto de 2024.
Entre as pessoas cujas contas teriam sido acessadas estão o presidente da Itália, Sergio Mattarella; a primeira-ministra, Giorgia Meloni; o presidente do Senado, Ignazio Maria La Russa; e o ministro da Defesa, Guido Crosetto.
A notificação formal do encerramento de uma investigação geralmente precede o pedido de indiciamento por parte da promotoria italiana. Com isso, o funcionário irá a julgamento.
Coviello é investigado por acesso não autorizado a sistemas informáticos ou de telecomunicações, agravado pelo fato de a infraestrutura bancária estar incluída no Perímetro Nacional de Segurança Cibernética da Itália, tornando o ataque uma ameaça direta.
Ele também é acusado de obter ilegalmente informações relacionadas à segurança do Estado e de violar de forma sistemática as normas de proteção de dados pessoais.
A investigação foi iniciada pelos carabineiros de Bari após uma denúncia apresentada por um correntista em julho de 2024. Com o auxílio de especialistas em crimes cibernéticos, os investigadores analisaram registros dos sistemas e trilhas de auditoria digital do banco, reconstruindo os acessos realizados pelo funcionário.
Em comunicado, a Promotoria de Bari afirmou que a obtenção dos dados sensíveis representou um risco grave não apenas à privacidade dos clientes, mas também à segurança das instituições democráticas.
Os investigadores destacaram ainda a "natureza compulsiva e repetida" dos acessos, que teriam se multiplicado "de forma quase obsessiva" e alcançado um número muito elevado de pessoas.
A apuração também revelou que o caso pode não ser isolado. Outros sete funcionários do Intesa Sanpaolo estão envolvidos na investigação por condutas consideradas semelhantes.
Os processos relativos a esses funcionários foram separados do procedimento principal e encaminhados às autoridades judiciais competentes em diferentes partes da Itália.
De acordo com a Promotoria, as condutas indicam uma "vulnerabilidade preocupante à tentação da curiosidade ilícita ou da criação de dossiês". Os casos, porém, teriam apresentado menor frequência, escala e potencial de dano e não estariam relacionados a alvos institucionais sensíveis.