França decide suspender uso de granadas de efeito moral para conter protestos estudantis

7 out 2026 - 15h09
Resumo
O governo francês suspendeu o uso de granadas de efeito moral em protestos estudantis após um jovem de 15 anos perder a mão em um confronto com a polícia. A onda de manifestações, que já dura mais de duas semanas e fechou centenas de escolas pelo país, exige melhorias na educação pública e denuncia a violência desproporcional das forças de segurança. O Ministério do Interior determinou a medida cautelar enquanto investiga abusos policiais a poucos meses das eleições presidenciais.

O ‌governo francês anunciou nesta quarta-feira que decidiu suspender o uso de granadas de efeito moral nas ações policiais contra os protestos estudantis, depois que a mão de um adolescente de 15 anos foi arrancada durante um confronto com a polícia de choque, o ⁠que intensificou as acusações dos manifestantes de brutalidade policial.

Os protestos não ‌deram sinais de abrandamento, com mais de 500 escolas fechadas um dia após as manifestações terem se espalhado por todo o ‌país, e sindicatos que representam estudantes do ‌ensino médio, professores e outros trabalhadores planejando mais atos ⁠para quinta-feira.

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A onda de protestos já se estende por mais de duas semanas e revelou uma indignação pública generalizada a seis meses das eleições para substituir o presidente Emmanuel Macron.

No Lycée Lamartine, uma escola de ensino médio no centro de Paris, os manifestantes cantaram ‌a Marselhesa, entoaram slogans e fizeram a "ola" enquanto bloqueavam a entrada ‌da escola.

"Vimos que havia ⁠muitas paredes em ⁠ruínas, falta de professores nas escolas públicas e professores ausentes", disse Gabriel Fillieule, ⁠que estudava em uma escola ‌pública, mas agora frequenta ‌uma escola particular. Ele e outros afirmaram que estavam protestando para exigir melhores condições de ensino para todos.

Embora a maioria dos bloqueios de quarta-feira tenha sido pacífica, a polícia usou ⁠gás lacrimogêneo e repeliu os manifestantes em uma rua barricada com lixeiras do lado de fora da universidade Sciences Po, no centro de Paris.

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Grupos de direitos humanos, sindicatos, estudantes e alguns políticos da oposição acusaram a polícia ‌de usar força desproporcional para conter a onda de protestos.

O ministro do Interior, Laurent Nuñez, afirmou ter ordenado a suspensão do uso ⁠de granadas de efeito moral após um incidente na cidade de Lens, no norte do país, na segunda-feira, em que havia uma "forte possibilidade" de que o disparo de uma granada tivesse causado a perda da mão de um adolescente.

"Estou suspendendo o uso dessas granadas durante o movimento dos estudantes do ensino médio até que se esclareça o que aconteceu neste caso", disse o ministro, que acrescentou que 18 incidentes no total foram encaminhados à inspeção policial para investigação.

Os manifestantes afirmam que as más condições de ensino são responsáveis pela queda acentuada nas notas dos adolescentes franceses em leitura e matemática na última década.

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