Mais aposentados, baixa natalidade e restrições à imigração devem reduzir população economicamente ativa em 4,3 milhões até 2036, alerta estudo.A população da Alemanha em idade economicamente ativa diminuirá em 4,3 milhões até 2036, devido às aposentadorias, à queda da taxa de natalidade e às políticas de imigração mais rígidas que desencorajam a vinda de trabalhadores estrangeiros, alertou um estudo divulgado nesta segunda-feira (15/06).
A queda no número de trabalhadores representa mais um desafio para a maior economia da Europa, que já enfrenta burocracia excessiva, altos custos de energia e forte concorrência em setores tradicionais, como o automobilístico.
"A Alemanha não está à beira de uma mudança demográfica - ela já está em meio a ela", disse Holger Schaefer, do instituto econômico IW, em Colônia, que publicou o relatório. "Em poucos anos, a economia não terá a mão de obra necessária para gerar prosperidade e sustentar o Estado de bem-estar social em seu formato atual."
O estudo afirma que o mercado de trabalho será particularmente afetado pela aposentadoria da geração dos baby-boomers, geralmente definida como aqueles nascidos nas duas décadas após o fim da Segunda Guerra Mundial.
"Em 2036, apenas 9,8 milhões de pessoas atingirão a idade ativa", afirma o relatório do IW, segundo jornal Rheinische Post. "Com um número insuficiente de pessoas entrando no mercado de trabalho para substituí-las, a população em idade ativa diminuirá em 4,3 milhões até 2036, para 51 milhões, uma queda de cerca de sete por cento.".
A força de trabalho potencial cairá 6,9%, de 55 milhões em 2025 para 51,2 milhões em 2036. A longo prazo, diminuirá 8,3%, chegando a 50,4 milhões em 2045.
População encolheu mais cedo que o previsto
A taxa de declínio é pior do que a prevista anteriormente, uma vez que a população começou a encolher mais cedo do que o esperado.
Em 2025, a população da Alemanha diminuiu pela primeira vez em muitos anos, em cerca de 100 mil pessoas, e agora está em cerca de 83,5 milhões. Até 2040, deverá cair para menos de 82 milhões, prevê o instituto IW.
Além da queda na taxa de natalidade, a redução populacional está sendo impulsionada por uma forte diminuição no número de pessoas que se mudam para a Alemanha, afirma o relatório.
A migração para o país mais populoso da União Europeia (UE) deverá permanecer moderada devido "às perspectivas econômicas incertas e à mudança na política migratória do governo federal", conclui o documento. A coligação do chanceler federal conservador Friedrich Merz - formada pelas legendas conservadores União Democrata Cristã (CDU) de Merz e União Social Cristã (CSU) juntamente com o Partido Social-Democrata (SPD) - priorizou políticas de imigração mais rigorosas, buscando diminuir o apelo do partido de ultradireita Alternativa para a Alemanha (AfD).
O instituto IW observou que o governo alemão poderia conter o declínio da população em idade ativa ao incentivar as pessoas a trabalharem mais e facilitar a vinda de trabalhadores qualificados do exterior.