Filho do último xá do Irã diz que está 'pronto para governar após queda do regime islâmico'

Reza Pahlavi, filho exilado do último xá do Irã, Mohammad Reza Pahlavi, disse neste sábado (14) que está pronto para dirigir o país "após o fim da República Islâmica". Vivendo nos Estados Unidos, ele escreveu em mensagem nas redes sociais que está selecionando representantes da oposição no Irã e no exterior para integrar um "sistema de transição". A guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel em 28 de fevereiro, que resultou na morte do aiatolá Ali Khamenei, já entrou em sua terceira semana.

14 mar 2026 - 11h57

"Indivíduos competentes, dentro e fora do país, foram identificados e avaliados para dirigir diferentes setores do sistema de transição", afirmou Pahlavi. "Sob a minha direção, o sistema de transição estará pronto para assumir a governança do país e instaurar a ordem, a segurança, a liberdade e as condições necessárias para a prosperidade do Irã o mais rápido possível, assim que a República Islâmica cair", disse na mensagem publicada em persa e em inglês.

Reza Pahlavi não voltou ao Irã desde a revolução de 1979, que derrubou a monarquia. Ele lidera um dos muitos movimentos de oposição sediados no exterior e reapareceu na cena internacional durante o movimento de contestação no Irã que atingiu seu auge em janeiro.

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No texto, Pahlavi afirmou que o processo de seleção dos membros do órgão de transição é conduzido por Saeed Ghasseminejad, principal conselheiro para questões iranianas no think tank americano Foundation for Defense of Democracies (FDD) e opositor da República Islâmica. O herdeiro do xá não obteve até agora o apoio do presidente americano Donald Trump, que nunca o encontrou oficialmente e, em várias ocasiões, questionou sua capacidade de dirigir o país.

"Eles falam do filho do xá, mas ele não esteve lá [no Irã] há muitos anos", declarou recentemente Donald Trump. O presidente americano mencionou uma possível solução interna, a exemplo da Venezuela, onde as forças americanas capturaram em janeiro o presidente Nicolás Maduro, substituído por sua ex-vice-presidente Delcy Rodríguez. "Gosto da ideia de uma solução interna, porque funciona bem. Acho que já provamos isso na Venezuela", declarou.

Após a morte de Ali Khamenei no ataque americano e israelense, o regime iraniano designou seu filho, Mojtaba, para ser seu sucessor, considerado por especialistas um ultraconservador próximo da Guarda Revolucionária. Até agora, o novo líder não apareceu ou se manifestou em público. Na quinta-feira (12), a televisão estatal divulgou uma mensagem supostamente escrita pelo novo líder. Segundo o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, Mojtaba estaria "ferido e provavelmente desfigurado".

Na sexta-feira (13), membros do governo e das forças de segurança iranianas foram às ruas de Teerã para um ato público em apoio ao regime, em meio às explosões. Durante a manifestação, o chefe da segurança nacional Ali Larijani lançou um alerta ao presidente americano, Donald Trump. "Quanto mais ele aumentar a pressão, mais forte será a determinação da nação", disse.

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O chefe do Judiciário, Gholam Hossein Mohseni Ejei, por sua vez, permaneceu impassível quando uma explosão sacudiu um bairro próximo, segundo imagens exibidas pela TV estatal.

"Monarquia hereditária"

A nomeação de Mojtaba Khamenei para o cargo de líder supremo no Irã, após a morte de seu pai no primeiro dia da guerra, equivale à instauração de uma "monarquia hereditária" e torna "o regime mais frágil", declarou na quinta-feira um grupo de oposição no exílio sediado na França.

O novo líder supremo iraniano "não dispõe da autoridade de seu pai", o aiatolá Ali Khamenei, que comandou o país por mais de 36 anos, avaliou Mohammad Mohaddessin, presidente da Comissão de Assuntos Estrangeiros do Conselho Nacional da Resistência Iraniana (CNRI), diante de jornalistas em Paris.

O CNRI é o braço político da organização Mujahedins do Povo (MEK), proibida no Irã. O grupo inicialmente apoiou a revolução de 1979, que derrubou o xá, antes de romper com os dirigentes da República Islâmica. "A Guarda Revolucionária pressiona os outros a aprovar o filho de Khamenei. Eles têm a vantagem dentro do regime", acrescentou Mohaddessin.

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Segundo ele, "o papel criminoso" do novo líder é "conhecido há muito tempo". Mohaddessin ressalta que Mojtaba Khamenei supervisionava não apenas os elementos repressivos das forças de segurança, mas também o "sistema econômico do regime".

O CNRI, liderado por Maryam Rajavi, é um dos grupos de oposição que reivindicam o fim do sistema clerical, ao lado dos monarquistas reunidos em torno do filho do xá deposto, Reza Pahlavi, embora os dois movimentos não sejam aliados.

RFI com agências

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