"Indivíduos competentes, dentro e fora do país, foram identificados e avaliados para dirigir diferentes setores do sistema de transição", afirmou Pahlavi. "Sob a minha direção, o sistema de transição estará pronto para assumir a governança do país e instaurar a ordem, a segurança, a liberdade e as condições necessárias para a prosperidade do Irã o mais rápido possível, assim que a República Islâmica cair", disse na mensagem publicada em persa e em inglês.
Reza Pahlavi não voltou ao Irã desde a revolução de 1979, que derrubou a monarquia. Ele lidera um dos muitos movimentos de oposição sediados no exterior e reapareceu na cena internacional durante o movimento de contestação no Irã que atingiu seu auge em janeiro.
No texto, Pahlavi afirmou que o processo de seleção dos membros do órgão de transição é conduzido por Saeed Ghasseminejad, principal conselheiro para questões iranianas no think tank americano Foundation for Defense of Democracies (FDD) e opositor da República Islâmica. O herdeiro do xá não obteve até agora o apoio do presidente americano Donald Trump, que nunca o encontrou oficialmente e, em várias ocasiões, questionou sua capacidade de dirigir o país.
"Eles falam do filho do xá, mas ele não esteve lá [no Irã] há muitos anos", declarou recentemente Donald Trump. O presidente americano mencionou uma possível solução interna, a exemplo da Venezuela, onde as forças americanas capturaram em janeiro o presidente Nicolás Maduro, substituído por sua ex-vice-presidente Delcy Rodríguez. "Gosto da ideia de uma solução interna, porque funciona bem. Acho que já provamos isso na Venezuela", declarou.
Após a morte de Ali Khamenei no ataque americano e israelense, o regime iraniano designou seu filho, Mojtaba, para ser seu sucessor, considerado por especialistas um ultraconservador próximo da Guarda Revolucionária. Até agora, o novo líder não apareceu ou se manifestou em público. Na quinta-feira (12), a televisão estatal divulgou uma mensagem supostamente escrita pelo novo líder. Segundo o chefe do Pentágono, Pete Hegseth, Mojtaba estaria "ferido e provavelmente desfigurado".
Na sexta-feira (13), membros do governo e das forças de segurança iranianas foram às ruas de Teerã para um ato público em apoio ao regime, em meio às explosões. Durante a manifestação, o chefe da segurança nacional Ali Larijani lançou um alerta ao presidente americano, Donald Trump. "Quanto mais ele aumentar a pressão, mais forte será a determinação da nação", disse.
O chefe do Judiciário, Gholam Hossein Mohseni Ejei, por sua vez, permaneceu impassível quando uma explosão sacudiu um bairro próximo, segundo imagens exibidas pela TV estatal.
"Monarquia hereditária"
A nomeação de Mojtaba Khamenei para o cargo de líder supremo no Irã, após a morte de seu pai no primeiro dia da guerra, equivale à instauração de uma "monarquia hereditária" e torna "o regime mais frágil", declarou na quinta-feira um grupo de oposição no exílio sediado na França.
O novo líder supremo iraniano "não dispõe da autoridade de seu pai", o aiatolá Ali Khamenei, que comandou o país por mais de 36 anos, avaliou Mohammad Mohaddessin, presidente da Comissão de Assuntos Estrangeiros do Conselho Nacional da Resistência Iraniana (CNRI), diante de jornalistas em Paris.
O CNRI é o braço político da organização Mujahedins do Povo (MEK), proibida no Irã. O grupo inicialmente apoiou a revolução de 1979, que derrubou o xá, antes de romper com os dirigentes da República Islâmica. "A Guarda Revolucionária pressiona os outros a aprovar o filho de Khamenei. Eles têm a vantagem dentro do regime", acrescentou Mohaddessin.
Segundo ele, "o papel criminoso" do novo líder é "conhecido há muito tempo". Mohaddessin ressalta que Mojtaba Khamenei supervisionava não apenas os elementos repressivos das forças de segurança, mas também o "sistema econômico do regime".
O CNRI, liderado por Maryam Rajavi, é um dos grupos de oposição que reivindicam o fim do sistema clerical, ao lado dos monarquistas reunidos em torno do filho do xá deposto, Reza Pahlavi, embora os dois movimentos não sejam aliados.
RFI com agências