Explosões, ordem de evacuação e medo: Israel ataca novamente o sul do Líbano, apesar de cessar-fogo

Tanto Israel quanto o Hezbollah se acusam mutuamente de repetidas violações de um cessar-fogo que entrou em vigor em 17 de abril.

28 mai 2026 - 07h46
Um ataque israelense matou pelo menos 15 pessoas no Burj al-Shamali, perto de Tiro, na terça-feira
Um ataque israelense matou pelo menos 15 pessoas no Burj al-Shamali, perto de Tiro, na terça-feira
Foto: AFP / BBC News Brasil

Ondas de ataques israelenses atingiram o sul do Líbano nesta quinta-feira (28/05), tendo como alvo infraestrutura do grupo Hezbollah, segundo as Forças de Defesa de Israel (FDI).

Vídeos em Tiro, uma das maiores cidades do Líbano, mostram multidões de pessoas cobertas de poeira reunidas em torno de prédios desmoronados.

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Na quarta-feira, as FDI instaram os moradores a se deslocarem para o norte do Rio Zahrani, a cerca de 40 km da fronteira israelense, afirmando que atuariam "com força extrema".

Tanto Israel quanto o Hezbollah — o poderoso grupo xiita apoiado pelo Irã — se acusam mutuamente de repetidas violações de um cessar-fogo que entrou em vigor em 17 de abril.

Ataques israelenses atingiram Tiro e uma área ao leste da cidade na manhã de quinta-feira, informou a Agência Nacional de Notícias (NNA) do Líbano.

Imagens de Tiro revelaram explosões e incêndios durante a noite e até a manhã de quinta-feira. Vídeos mostraram ruas iluminadas de laranja pelas chamas, estradas cheias de fumaça e pelo menos um veículo envolto em fogo.

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Ao amanhecer, uma enorme bola de fogo foi filmada surgindo perto de um conjunto de prédios residenciais de grande altura, lançando uma coluna de fumaça em forma de cogumelo sobre o horizonte da cidade. Moradores atônitos observavam enquanto destroços se espalhavam pelas ruas ao redor.

Israel disse que os ataques tinham como alvo a suposta infraestrutura do Hezbollah.

Um integrante do Hezbollah em Tiro disse à BBC que as equipes de resgate tiveram de interromper o trabalho porque as condições permanecem "muito perigosas" e que os trabalhadores receberam ligações do Exército israelense alertando-os para evacuar a área.

Equipes de ambulância em Tiro continuam circulando pelos bairros, pedindo aos moradores que saiam, em meio a temores de novos ataques.

Mais ordens de evacuação israelenses foram emitidas durante a noite enquanto as pessoas dormiam. A escala do deslocamento está sobrecarregando toda a região.

Os abrigos na cidade de Sidon atingiram capacidade máxima, disse à BBC o chefe do município, e não há espaço para novos deslocados. As autoridades de Tiro estão aconselhando os moradores a viajar mais ao norte, para a capital, Beirute.

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Além disso, a NNA informou que um ataque de drone israelense atingiu uma família que tentava fugir de vilarejos ameaçados no sul do Líbano em busca de segurança, matando seis pessoas, incluindo crianças.

A ordem de evacuação de quarta-feira foi a maior desde a entrada em vigor do cessar-fogo, abrangendo cerca de 14% do território libanês.

Os ataques ocorreram após o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciar a ampliação de sua operação terrestre, depois de ataques de drones do Hezbollah contra tropas que ocupam parte do sul do Líbano e contra civis no norte de Israel.

A ordem de evacuação de quarta-feira para Tiro foi rapidamente seguida por ataques aéreos. Moradores assistiram horrorizados de suas varandas, filmando com seus telefones, enquanto forças israelenses atingiam a cidade.

Rida, de 52 anos, tinha um café perto da praia que foi destruído junto com sua casa em um ataque aéreo minutos antes do início do cessar-fogo no mês passado. Ele havia dito anteriormente à BBC que nunca deixaria Tiro.

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Agora, a sensação é diferente. "Fui ao porto ao lado da praia e muita gente está lá", disse Rida por telefone na quarta-feira. "As pessoas arrumaram suas coisas. Todos estão com medo."

A ordem de evacuação posterior para áreas ao sul do rio Zahrani abrange cerca de 300 cidades e vilarejos. Muitos moradores, incluindo aqueles já deslocados de outras partes do sul do Líbano, não têm para onde ir.

O chefe da delegação do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) no Líbano alertou que a situação no sul do país estava "se aproximando de um perigoso ponto crítico".

"As hostilidades atuais criam condições insustentáveis para civis e trazem risco de consequências de longo prazo", afirmou Agnes Dhur.

Também na quarta-feira, a imprensa libanesa noticiou uma onda de ataques israelenses pelo sul e pelo Vale do Bekaa, no leste, com quatro pessoas mortas nas cidades de Choukine e Nabatieh.

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O primeiro-ministro de Israel disse que suas forças estavam “aprofundando” sua operação terrestre no Líbano
Foto: Reuters / BBC News Brasil

O Hezbollah afirmou na quarta-feira que seus combatentes haviam entrado em confronto com forças israelenses em Zawtar al-Sharqiyeh, ao norte do rio Litani. A cidade, a cerca de 30 km da fronteira, fica fora da "zona tampão" declarada por Israel.

Autoridades israelenses disseram que os ataques do Hezbollah violam o acordo temporário de cessar-fogo entre os governos de Israel e do Líbano, que foi prorrogado duas vezes desde que entrou em vigor no mês passado.

Autoridades libanesas apontaram os próprios ataques israelenses como violações.

A escalada ameaça comprometer as negociações destinadas a encerrar a guerra entre os EUA e Israel, de um lado, e o Irã, do outro. O Irã insiste que qualquer acordo também deve abranger o Líbano. Israel afirma que se reserva o direito de continuar combatendo a ameaça do Hezbollah.

O Líbano foi arrastado para a guerra em 2 de março, quando o Hezbollah lançou foguetes contra Israel em retaliação a um ataque israelense que matou o líder supremo do Irã. Israel respondeu com uma campanha aérea em todo o Líbano e uma invasão terrestre.

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Pelo menos 3.213 pessoas foram mortas no Líbano desde o início da guerra, de acordo com o Ministério da Saúde do país — seus números não fazem distinção entre combatentes e civis.

Israel afirma que 23 de seus soldados e quatro civis israelenses foram mortos no mesmo período em ambos os lados da fronteira.

Reportagem adicional de Angie Mrad.

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