Paris entra em alerta laranja por onda de calor precoce que atinge Europa

Alerta de onda de calor precoce chega à região parisiense nesta quinta-feira (28). A capital francesa deve registrar nesta quinta-feira temperaturas de até 35°C. Uma onda de calor sem precedentes e precoce tem atingido partes da Europa, incluindo França, Reino Unido e Itália, desde o início da semana. A situação gera tensões políticas, e o governo francês realiza uma reunião interministerial nesta tarde para decidir medidas de enfrentamento.

28 mai 2026 - 07h42

O alerta laranja de onda de calor foi estendido a Paris e seus arredores nesta quinta-feira. Trata-se de um aviso meteorológico de nível elevado, emitido pelo serviço nacional meteorológico, Météo-France, em coordenação com as autoridades de saúde. Ele é acionado quando são previstas temperaturas muito altas, durante vários dias e noites consecutivos.

O nível laranja é o segundo mais grave no sistema francês, abaixo apenas do vermelho, e implica a ativação de planos de prevenção, como o acompanhamento de idosos. O governo alerta a população para evitar sair nas horas mais quentes, manter-se hidratada e reduzir atividades físicas. Além disso, serviços públicos e hospitais entram em estado de atenção reforçada.

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Incluindo Paris, cerca de 18% do território francês foi colocado em alerta laranja pelo Météo-France em seu boletim das 6h. A previsão é de temperaturas entre 32°C e 34°C na região parisiense, com picos localizados de 35°C. No sudeste do país, são esperados valores entre 38°C e 39°C, níveis incomuns para o final de maio.

Em entrevista ao canal francês TF1 nesta quinta-feira, a ministra da Saúde, Stéphanie Rist, enfatizou a importância da prevenção para evitar tragédias.

"Prevenção - ou seja, beber água ao longo do dia, manter as persianas fechadas, reduzir a atividade física, fazer refeições mais leves, sem deixar de se alimentar, e cuidar das pessoas vulneráveis - salva vidas", afirmou.

Pessoas se refrescam em um "espaço fresco" criado pelo governo local, em um parque, em Nantes, oeste da França, em 26 de maio de 2026. O serviço meteorológico francês colocou o oeste da França em alerta devido a uma onda de calor incomum para o final de maio, descrita como "altamente atípica" para a época.
Pessoas se refrescam em um "espaço fresco" criado pelo governo local, em um parque, em Nantes, oeste da França, em 26 de maio de 2026. O serviço meteorológico francês colocou o oeste da França em alerta devido a uma onda de calor incomum para o final de maio, descrita como "altamente atípica" para a época.
Foto: RFI

Despreparo

A questão ganhou dimensão política, e o governo francês vem sendo criticado por não ter antecipado a alta das temperaturas. "O governo precisa ir além da gestão fragmentada da crise e adotar medidas estruturais, sobretudo para adaptar moradias e escolas ao calor extremo", defendeu Anne Bringault, diretora de programas da Rede de Ação Climática.

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O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, convocou uma reunião com cerca de dez ministros na tarde desta quinta-feira, em Matignon, para trabalhar em um "plano sustentável" para o verão. Entre os temas abordados estão os níveis dos lençóis freáticos, o acesso à água e o risco de incêndios florestais.

Autoridades locais também implementam medidas excepcionais. Em algumas localidades, escolas serão fechadas nas tardes de quinta e sexta-feira, e atividades ao ar livre foram canceladas em determinados departamentos. Abrigos para pessoas em situação de rua também foram abertos em grandes cidades.

A onda de calor precoce é causada por uma "cúpula de calor", que aprisiona ar quente proveniente do norte da África sobre a Europa Ocidental. Esse fenômeno, que já provocou mortes diretas e indiretas na França, segundo o governo, eleva as temperaturas para valores entre 10°C e 15°C acima da média para a época.

Um homem se refresca na fonte Barcaccia, perto da Escadaria da Praça de Espanha, durante uma onda de calor no início da temporada em Roma, em 26 de maio de 2026.
Foto: RFI

Itália em alerta vermelho

A mesma cúpula de calor também afeta outros países europeus, como Itália, Espanha e Reino Unido. O Ministério da Saúde italiano colocou as cidades de Roma, Florença, Bolonha e Turim em alerta vermelho (nível 3), o mais alto, nesta quinta-feira, devido à onda de calor que atinge a Europa.

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As temperaturas devem chegar a 33°C em Turim, 32°C em Florença e Bolonha (com sensação térmica de até 35°C) e 31°C em Roma (sensação de 33°C).

O nível 3 indica "uma situação de emergência que pode ter efeitos adversos na saúde não apenas de grupos de risco, mas também de pessoas saudáveis e ativas", informou o Ministério da Saúde. Esse nível máximo é acionado quando o calor intenso e condições climáticas anormais persistem por três dias ou mais.

Desde 25 de maio, o ministério publica boletins diários avaliando a situação em 27 cidades italianas, com previsões para 24, 48 e 72 horas.

Segundo o consenso científico, as mudanças climáticas causadas pela atividade humana estão intensificando eventos extremos, como ondas de calor, secas e inundações.

Com AFP

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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