O alerta laranja de onda de calor foi estendido a Paris e seus arredores nesta quinta-feira. Trata-se de um aviso meteorológico de nível elevado, emitido pelo serviço nacional meteorológico, Météo-France, em coordenação com as autoridades de saúde. Ele é acionado quando são previstas temperaturas muito altas, durante vários dias e noites consecutivos.
O nível laranja é o segundo mais grave no sistema francês, abaixo apenas do vermelho, e implica a ativação de planos de prevenção, como o acompanhamento de idosos. O governo alerta a população para evitar sair nas horas mais quentes, manter-se hidratada e reduzir atividades físicas. Além disso, serviços públicos e hospitais entram em estado de atenção reforçada.
Incluindo Paris, cerca de 18% do território francês foi colocado em alerta laranja pelo Météo-France em seu boletim das 6h. A previsão é de temperaturas entre 32°C e 34°C na região parisiense, com picos localizados de 35°C. No sudeste do país, são esperados valores entre 38°C e 39°C, níveis incomuns para o final de maio.
Em entrevista ao canal francês TF1 nesta quinta-feira, a ministra da Saúde, Stéphanie Rist, enfatizou a importância da prevenção para evitar tragédias.
"Prevenção - ou seja, beber água ao longo do dia, manter as persianas fechadas, reduzir a atividade física, fazer refeições mais leves, sem deixar de se alimentar, e cuidar das pessoas vulneráveis - salva vidas", afirmou.
Despreparo
A questão ganhou dimensão política, e o governo francês vem sendo criticado por não ter antecipado a alta das temperaturas. "O governo precisa ir além da gestão fragmentada da crise e adotar medidas estruturais, sobretudo para adaptar moradias e escolas ao calor extremo", defendeu Anne Bringault, diretora de programas da Rede de Ação Climática.
O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, convocou uma reunião com cerca de dez ministros na tarde desta quinta-feira, em Matignon, para trabalhar em um "plano sustentável" para o verão. Entre os temas abordados estão os níveis dos lençóis freáticos, o acesso à água e o risco de incêndios florestais.
Autoridades locais também implementam medidas excepcionais. Em algumas localidades, escolas serão fechadas nas tardes de quinta e sexta-feira, e atividades ao ar livre foram canceladas em determinados departamentos. Abrigos para pessoas em situação de rua também foram abertos em grandes cidades.
A onda de calor precoce é causada por uma "cúpula de calor", que aprisiona ar quente proveniente do norte da África sobre a Europa Ocidental. Esse fenômeno, que já provocou mortes diretas e indiretas na França, segundo o governo, eleva as temperaturas para valores entre 10°C e 15°C acima da média para a época.
Itália em alerta vermelho
A mesma cúpula de calor também afeta outros países europeus, como Itália, Espanha e Reino Unido. O Ministério da Saúde italiano colocou as cidades de Roma, Florença, Bolonha e Turim em alerta vermelho (nível 3), o mais alto, nesta quinta-feira, devido à onda de calor que atinge a Europa.
As temperaturas devem chegar a 33°C em Turim, 32°C em Florença e Bolonha (com sensação térmica de até 35°C) e 31°C em Roma (sensação de 33°C).
O nível 3 indica "uma situação de emergência que pode ter efeitos adversos na saúde não apenas de grupos de risco, mas também de pessoas saudáveis e ativas", informou o Ministério da Saúde. Esse nível máximo é acionado quando o calor intenso e condições climáticas anormais persistem por três dias ou mais.
Desde 25 de maio, o ministério publica boletins diários avaliando a situação em 27 cidades italianas, com previsões para 24, 48 e 72 horas.
Segundo o consenso científico, as mudanças climáticas causadas pela atividade humana estão intensificando eventos extremos, como ondas de calor, secas e inundações.
Com AFP