Aquecimento global: Reino Unido foi projetado para um clima que já não existe

Diversos países da Europa Ocidental enfrentaram nesta terça-feira (26) mais um dia de calor, com temperaturas muito acima do normal para o mês de maio. O fenômeno meteorológico também atinge o Reino Unido, onde será necessário adaptar as infraestruturas à nova realidade climática.

26 mai 2026 - 15h42

Sara Menai, correspondente da RFI em Londres

No Reino Unido, a agência meteorológica nacional, a Met Office, declarou que a onda de calor atinge oito condados da Inglaterra e algumas partes do país, onde se espera que as temperaturas alcancem seu pico no meio da semana, com máximas de até 35 graus. Se antes os britânicos eram conhecidos por viverem em um clima frio e chuvoso boa parte do ano, a população vem enfrentando cada vez mais verões extremos e precoces, o que preocupa as autoridades.

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Nesta terça-feira, os conselheiros climáticos do governo fizeram um alerta: como os períodos de calor extremo podem se tornar "o novo normal", as residências britânicas terão de se adaptar. As infraestruturas também precisarão se ajustar às mudanças climáticas em um continente que se aquece mais rapidamente do que outras regiões.

Fechar as cortinas para evitar a entrada do calor nas residências, plantar árvores para ampliar as sombras e a sensação de frescor e abrir as janelas à noite para ventilar os imóveis já não será suficiente. No Reino Unido, o Comitê sobre Mudanças Climáticas, que publica regularmente relatórios sobre a adaptação aos efeitos do aquecimento global, foi categórico: o país foi projetado para um clima que já não existe.

Nos próximos anos, nove em cada dez residências britânicas correm o risco de sofrer superaquecimento. Casas de repouso para idosos, hospitais e escolas não estão adaptados.

Metrô não foi concebido para ter ar-condicionado

"Se tomarmos como exemplo as obras de proteção contra inundações, vemos que as barreiras contra cheias do Tâmisa não foram projetadas para resistir suficientemente aos efeitos das mudanças climáticas com os quais nos confrontamos hoje. Portanto, será necessário investir na modernização das obras existentes", explica Emma Pinchbeck, diretora-executiva do Comitê sobre Mudanças Climáticas.

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Uma das principais infraestruturas afetadas pelo calor é o metrô de Londres, cujo solo argiloso e túneis estreitos e profundos não permitem a instalação de sistemas de ar-condicionado. Inaugurado no século 19, o pioneiro sistema metroviário da capital britânica não foi concebido para tais temperaturas.

Até 2050, no Reino Unido, prevê-se que as ondas de calor ultrapassem os 40 °C em todas as regiões do país. Também serão mais prolongadas e, segundo as autoridades, poderão provocar 10 mil mortes adicionais por ano.

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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