O ex-engenheiro da OpenAI Abdulrahman Alfozan foi acusado de instalar escutas criptografadas na sala de reuniões da empresa para gravar encontros confidenciais. Promotores dos EUA pediram sua prisão preventiva, apontando risco de fuga e forte apoio do governo saudita, que inclui ligações com a família real e custeio da viagem de sua família para Riade. O réu, que planejava retornar ao seu país de origem, já atuava na aproximação do setor de tecnologia americano com os interesses sauditas.
Um ex-engenheiro da OpenAI acusado de instalar um dispositivo de gravação na sala de reuniões da diretoria da empresa de IA parece ter recebido apoio considerável do governo saudita, afirmaram promotores dos Estados Unidos em um documento judicial.
Promotores federais alegam que o réu, Abdulrahman Alfozan, de 35 anos, mantinha contato frequente com um membro não identificado da família real saudita e que um oficial militar saudita pagou uma passagem aérea só de ida para que a esposa e o filho pequeno de Alfozan retornassem à Arábia Saudita após sua prisão, de acordo com o documento judicial divulgado no final do domingo.
As alegações foram apresentadas pelos promotores ao solicitarem a um juiz federal que mantenha Alfozan sob custódia nos EUA até o julgamento, argumentando que há risco de fuga. Alfozan, cidadão saudita e residente permanente legal nos EUA, deve comparecer ao tribunal federal em San Francisco ainda nesta segunda-feira.
O caso destacou os desafios de segurança em torno de pesquisas sensíveis em IA, à medida que empresas e governos competem ferozmente por uma vantagem nessa tecnologia transformadora.
"O réu não mediu esforços para criar dispositivos de gravação personalizados e criptografados para gravar secretamente reuniões altamente confidenciais envolvendo funcionários seniores e executivos da OpenAI, parceiros comerciais de alto escalão e autoridades governamentais, tudo isso enquanto se comunicava com pessoas influentes na Arábia Saudita e buscava oportunidades na Arábia Saudita -- além de fazer planos para viajar para lá", escreveram os promotores em um memorando de detenção.
A assessoria de imprensa do governo saudita não respondeu imediatamente a um pedido de comentário. Um advogado de Alfozan também não respondeu imediatamente a um pedido de comentário.
O advogado, William Pernik, havia solicitado anteriormente que Alfozan fosse liberado da custódia, sujeito a condições que incluam monitoramento de localização e entrega de seu passaporte, e afirmou que Alfozan passou os últimos 15 anos nos EUA e solicitou a naturalização.
O advogado afirmou que uma viagem planejada por Alfozan à Arábia Saudita neste mês havia sido reservada antes de ele ser alvo de investigação e devia-se a "motivos familiares e de imigração", de acordo com um documento judicial.
DISPOSITIVO
Promotores dos EUA acusaram Alfozan na semana passada de usar um dispositivo eletrônico para interceptar comunicações verbais. Alfozan conectou um dispositivo de gravação na parte de trás de uma televisão em uma sala de conferências executiva em um dos prédios da OpenAI em San Francisco, de acordo com uma denúncia criminal.
Reuniões envolvendo autoridades governamentais ocorreram na sala de conferências mais ou menos na época em que o dispositivo foi instalado, de acordo com o memorando de detenção dos promotores.
Os promotores disseram ainda que a investigação continua em andamento e que novas acusações podem ser apresentadas contra Alfozan.
Um membro da família real saudita tentou recrutar Alfozan para uma função voltada para IA na Arábia Saudita, escrevendo em uma mensagem: "A Arábia Saudita precisa mais de você do que os EUA!" Alfozan respondeu "100", de acordo com mensagens citadas pelos promotores.
Antes de sua prisão, Alfozan tinha viagem marcada para Riade durante uma licença-paternidade planejada de dois meses. Sua esposa disse aos investigadores que ela e o filho planejavam se mudar definitivamente para a Arábia Saudita e que Alfozan pretendia se juntar a eles mais tarde, segundo os promotores.
Em uma entrevista em árabe no podcast Identity Capital no mês passado, Alfozan disse que visita a Arábia Saudita três ou quatro vezes por ano, acompanha os desenvolvimentos no país e atua como consultor ou mentor de startups sauditas.
Segundo ele, o encontro com o príncipe Mohammed bin Salman, na época vice-príncipe herdeiro, durante um evento em 2016 com jovens profissionais de tecnologia sauditas no Vale do Silício, o convenceu a adquirir experiência em uma empresa de tecnologia de ponta antes de levar essas habilidades de volta para casa.
Enquanto Alfozan trabalhava no Facebook, ele e outros sauditas no Vale do Silício formaram uma iniciativa de consultoria que conectava organizações dos setores público e privado da Arábia Saudita com especialistas em big data, internet das coisas e aprendizado de máquina.
A OpenAI havia informado anteriormente que descobriu o dispositivo em 30 de setembro e encaminhou o caso ao FBI.