Volta surpresa de Harry e Meghan ao Reino Unido representa desafio para a Coroa britânica

A notícia do retorno do príncipe Harry e de sua família ao Reino Unido tem despertado o interesse da imprensa internacional desde que foi anunciada na última quarta-feira (19). Harry, de 41 anos, e sua esposa, Meghan, de 45, vivem na Califórnia desde 2020, após romperem os laços com a família real britânica. Segundo informações ainda não confirmadas oficialmente, eles devem voltar a morar no Reino Unido em breve. Os dois filhos do casal, Archie, de 7 anos, e Lilibet, de 5, já estariam matriculados em uma escola britânica para o início do ano letivo, em setembro.

21 ago 2026 - 11h04
Resumo
O retorno de Harry e Meghan ao Reino Unido após seis anos surpreendeu a opinião pública e virou destaque na imprensa. O casal viverá como cidadãos comuns nos arredores de Londres, motivado pela frustração com projetos nos EUA e pelo desejo de reaproximação familiar. Contudo, a mudança representa um desafio para a Coroa, reaviva conflitos do passado, impõe forte pressão midiática e torna a difícil reconciliação de Harry com o príncipe William o principal obstáculo para a família real.

O retorno de Harry e Meghan ao Reino Unido é destaque nas capas dos jornais franceses desta sexta-feira (21). O Le Figaro afirma em manchete que, após seis anos de exílio, o retorno surpresa de Harry e Meghan representa um "desafio" para a Coroa britânica.

Príncipe Harry, esposa e filhos vão voltar a morar no Reino Unido em setembro de 2026, noticia a imprensa internacional.
Príncipe Harry, esposa e filhos vão voltar a morar no Reino Unido em setembro de 2026, noticia a imprensa internacional.
Foto: REUTERS - Dylan Martinez / RFI

Para o jornal conservador, os britânicos talvez precisem inventar uma nova palavra. Depois do famoso "Megxit", que marcou a saída de Harry e Meghan da família real em 2020, surge agora a ideia do "Megxin", para simbolizar o retorno do casal ao Reino Unido.

Publicidade

A decisão surpreendeu a opinião pública. No entanto, o Le Figaro ressalta que o retorno não significa uma volta à monarquia. Os dois continuarão sendo cidadãos comuns, sem funções oficiais e sem o modelo híbrido que Harry desejava no passado. Eles devem se instalar em uma residência privada, fora do patrimônio da família real, localizada nos arredores de Londres.

O jornal observa que as motivações para esse retorno levantam muitas questões. Há quem fale em saudade das raízes britânicas e na vontade de aproximar os filhos da terra natal do pai e também do avô, o rei Charles III. Outros veem uma constatação mais pragmática: os grandes projetos comerciais do casal nos Estados Unidos ficaram aquém das expectativas, e o sonho de conquistar Hollywood não produziu os resultados esperados.

Reconciliação com príncipe William é principal desafio

Apesar de uma reaproximação com o rei Charles III, a reconciliação com o príncipe William parece distante. Para especialistas citados pelo jornal, os ressentimentos acumulados nos últimos anos tornam improvável qualquer reintegração completa à família real.

Em resumo, para o Le Figaro, o retorno dos Sussex representa menos uma volta triunfal à Coroa e mais um novo capítulo de uma relação marcada por rupturas, desconfianças e muitas interrogações sobre o futuro do casal.

Publicidade

O "retorno inesperado" é a manchete do Le Parisien. O jornal revela os bastidores dessa decisão e afirma que Harry nunca foi verdadeiramente feliz nos Estados Unidos. Um especialista em monarquia britânica entrevistado pelo diário acredita que o príncipe poderá recuperar sua imagem e seu lugar na família real, desde que peça desculpas e reconheça seus erros. Mas a imprensa britânica não dará trégua ao casal. A atenção pública e midiática deve voltar a se concentrar nos conflitos e nas questões que originalmente motivaram sua saída.

O maior desafio será a reconciliação com o irmão e futuro rei, o príncipe William. Segundo o Le Parisien, a rivalidade entre os dois casais poderá ser retomada, e desta vez não haverá mais um oceano entre eles.

Se o retorno se confirmar, a atenção pública e midiática voltará a se concentrar nos conflitos e questões que originalmente provocaram a saída do casal do país, antecipa, Nathalie Weidhase, da Universidade de Surrey, em entrevista à AFP. Ela cita, por exemplo, "o racismo sofrido por Meghan Markle e as consequentes preocupações com sua segurança", além dos conflitos familiares que se agravaram após o lançamento da autobiografia de Harry, "O que sobra", na qual tornou públicos episódios familiares privados e até então desconhecidos.

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
Fique por dentro das principais notícias
Ativar notificações