A capital francesa registrou um aumento de 29% nas chegadas aéreas internacionais entre 20 de dezembro de 2024 e 5 de janeiro de 2025. Paris sempre foi um destino cobiçado por turistas do mundo todo, mas esse interesse se intensificou desde os Jogos Olímpicos de 2024 e pode estar chegando a um ponto de saturação, alerta o secretário-adjunto de Turismo de Paris, Frédéric Hocquard, em entrevista ao jornal Le Monde.
Dados divulgados pela prefeitura antecipam um aumento de 18,4% nas chegadas aéreas em julho e 7,4% em agosto. Essas perspectivas se mantêm em setembro (+6,4%) e só diminuem em outubro (+3,1%), quando o outono toma conta da Europa e os dias se tornam mais curtos e chuvosos.
Essas estatísticas podem ser animadoras para a economia, mas há sinais de que o turismo na cidade está próximo de um limite, alerta Frédéric Hocquard. Em entrevista ao jornal Le Monde, o representante da prefeitura de Paris chama a atenção para a "superconcentração" de certos pontos turísticos, como o centro da cidade, a colina de Montmartre e os arredores da Torre Eiffel.
Segundo ele, Paris recebe entre 35 e 40 milhões de visitantes por ano, número que já supera os níveis anteriores à pandemia de Covid-19.
Acima desse patamar, diz, a cidade não conseguirá absorver tantos visitantes, mas as previsões indicam um forte crescimento da atividade turística nos próximos anos. Para evitar a saturação, o secretário defende a estabilização do número de turistas.
Após a pandemia, a prefeitura de Paris priorizou a recuperação econômica, mas agora busca regular a atividade turística.
Segundo o secretário-adjunto, iniciativas nesse sentido já estão sendo implementadas pelo município. Entre elas estão a redução do número de ingressos vendidos para a Torre Eiffel e a obrigatoriedade de reserva para visitar a catedral de Notre-Dame.
Outras medidas incluem a redução do número de pousos nos aeroportos de Paris e o fortalecimento do transporte ferroviário. Outra proposta foi a proibição de ônibus turísticos no centro da cidade, mas ela foi rejeitada pelo Ministério dos Transportes.
Rejeição dos moradores
O turismo representa 15% dos empregos em Paris, mas sem regulação, alerta Hocquard, poderá gerar rejeição por parte dos moradores, como já ocorreu em cidades como Barcelona, Amsterdã e Veneza.
O aumento do turismo também inflaciona o preço dos aluguéis e prejudica o acesso à moradia, já que é mais rentável para os proprietários alugarem seus imóveis para temporada.
"Em 2014, Laurent Fabius, então ministro das Relações Exteriores, estabeleceu a meta de 100 milhões de turistas estrangeiros por ano na França. Em 2024, esse número foi superado. Devemos continuar rumo a 110, 120, 130 milhões? Talvez haja regiões na França que queiram receber mais turistas, e isso é perfeitamente possível, mas no que diz respeito a Paris, esse já não é mais o nosso objetivo. Agora, trata-se de fazer melhor, não mais", conclui Hocquard na entrevista ao Le Monde.