Torre Eiffel reabre após greve contra exclusão de funcionárias durante visita de grupo hindu

A Torre Eiffel, em Paris, reabriu nesta terça-feira (8), após ser fechada no dia anterior devido a uma greve de funcionários. O movimento foi feito em protesto à exclusão de trabalhadoras durante a visita de um grupo religioso hindu ao famoso monumento francês. Posteriormente, a instituição pediu desculpas pela situação, classificada como "inaceitável" pelo prefeito da capital francesa, Emmanuel Grégoire.

8 set 2026 - 07h04
Resumo
A Torre Eiffel reabriu após uma greve de funcionários motivada pela exclusão e substituição de trabalhadoras durante a visita do grupo hindu Baps, que havia pedido para limitar o contato com mulheres. O sindicato denunciou a discriminação de gênero, e a empresa operadora admitiu que as exigências não deveriam ter sido aceitas. O caso foi repudiado pela prefeitura de Paris, que anunciou uma investigação, enquanto o movimento conservador hindu pediu desculpas pelo ocorrido.

A torre, que recebeu 6,75 milhões de visitantes em 2025, reabriu conforme o previsto, às 9h30 (4h30 de Brasília). A greve foi uma resposta ao pedido do movimento espiritual hindu Bochasanwasi Akshar Purushottam Swaminarayan Sanstha (Baps) para que mulheres não estivessem no local durante a visita do grupo.

Membros do movimento espiritual hindu Bochasanwasi Akshar Purushottam Swaminarayan Sanstha participam de uma cerimônia religiosa em frente à Torre Eiffel, em Paris.
Membros do movimento espiritual hindu Bochasanwasi Akshar Purushottam Swaminarayan Sanstha participam de uma cerimônia religiosa em frente à Torre Eiffel, em Paris.
Foto: © Kenzo Tribouillard / AFP/Archivos / RFI

A ida do Baps à Torre Eiffel fazia parte do cronograma para a cerimônia de inauguração de seu primeiro grande templo na França, no domingo (6). Para o evento, a delegação também fez um passeio de barco pelo rio Sena.

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De acordo com um comunicado divulgado pelo sindicato CGT, o maior do país, foram passadas instruções aos empregados que "levaram ao afastamento, substituição e invisibilidade das funcionárias devido ao seu gênero".

"Algumas (mulheres) foram solicitadas a deixar seus postos e se deslocar para áreas separadas. Em algumas posições, elas foram substituídas por homens. E todas as funcionárias foram instruídas a não entrar ou atravessar certas áreas enquanto a delegação estivesse presente", segundo o comunicado dos trabalhadores.

Essa situação, descrita como "grave e profundamente contrária aos valores de igualdade e não discriminação", levou os empregados a entrarem em greve. Na segunda-feira, o monumento permaneceu fechado enquanto reuniões eram realizadas entre a administração e os funcionários.

A empresa operadora da Torre Eiffel (Sete) reconheceu que a delegação hindu havia solicitado que a visita fosse organizada com "interações limitadas com mulheres" e admitiu que "essas condições não deveriam ter sido aceitas". O prefeito de Paris, Emmanuel Grégoire, também criticou a decisão.

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"É inaceitável que as condições" exigidas pela delegação hindu "tenham sido toleradas", reagiu Grégoire, acrescentando que uma investigação será "iniciada o mais breve possível".

Movimento hindu se manifesta

Criticado como conservador e nacionalista por alguns membros da diáspora indiana, o movimento espiritual hindu Bochasanwasi Akshar Purushottam Swaminarayan Sanstha (Baps) emitiu um pedido de desculpas, mas minimizou as críticas.

"Até onde sabemos, em nenhum momento o acesso à Torre Eiffel foi negado a ninguém", justificou o Baps de Paris. "Desejamos, no entanto, apresentar nossas sinceras desculpas a todos que possam ter se sentido magoados ou incomodados por esta situação", acrescentou, especificando que a visita ocorreu "no início do horário normal de funcionamento, a fim de minimizar qualquer inconveniente para outros visitantes".

No domingo, milhares de hindus celebraram em Bussy-Saint-Georges, a 30 km a leste de Paris, a consagração do primeiro grande templo construído na França pela organização. Com suas cúpulas e pináculos de pedra esculpida, ele é apresentado como "um emblema da cultura indiana e do hinduísmo". O local está sendo considerado o maior templo hindu construído na Europa continental em estilo tradicional. 

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Os objetivos do Baps, no entanto, são contestados por alguns conterrâneos, como a Aliança Indiana de Paris, que considerou a inauguração de seu novo templo na França como mais uma ofensiva da "supremacia hindu", com "uma visão de mundo conservadora e nacionalista".

Com AFP

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