"Para sermos fortes neste mundo brutal, temos de agir mais rápido e com mais força", declarou o presidente ao apresentar os seus votos de Ano Novo às Forças Armadas na base aérea de Istres, no sudeste da França, após uma reunião do Conselho de Defesa dedicada às situações na Groenlândia e no Irã.
O presidente francês também anunciou que a França enviará recursos adicionais, no âmbito de uma missão europeia, "nos próximos dias" para a Groenlândia, território autônomo dinamarquês cobiçado pelos Estados Unidos.
Cerca de quinze soldados franceses já foram mobilizados para esta operação de "dissuasão", destinada a "mostrar aos Estados Unidos que a OTAN está presente", afirmou mais cedo, em entrevista ao canal de TV Franceinfo, o embaixador francês para os Assuntos Polares, Olivier Poivre d'Arvor.
"A Europa tem concorrentes que não esperava", disse Macron, sublinhando que "aliados que considerávamos previsíveis, inabaláveis, sempre ao nosso lado, de repente semeiam dúvidas em muitas mentes, mesmo naqueles que menos duvidavam", disse o presidente francês, fazendo alusão aos interesses dos EUA na Dinamarca.
Donald Trump, citando necessidades de segurança nacional diante das ameaças russas e chinesas, ameaça tomar a Groenlândia, usando a força, se necessário.
Orçamento paralisado
O presidente pediu ao Parlamento francês que "adote até 14 de julho" a versão atualizada do projeto de lei de despesas militares para 2024-2030, que atualmente prevê € 413 bilhões, a fim de reforçar as capacidades de defesa. Ele também solicitou € 36 bilhões adicionais até 2030 para as Forças Armadas "para acelerar o rearmamento", incluindo € 3,5 bilhões este ano e outros € 3 bilhões no próximo ano.
Este aumento do investimento, no entanto, fica condicionado à aprovação de um orçamento para 2026, que permanece paralisado na Assembleia Nacional.
Se aprovado, com essa trajetória, o orçamento da defesa terá quase dobrado durante os dois mandatos de Emmanuel Macron, atingindo € 64 bilhões anuais em 2027.
O presidente francês também afirmou que, na Ucrânia, a França e seus parceiros europeus estão totalmente mobilizados em apoio ao Exército ucraniano e para o destacamento de uma força multinacional destinada a dissuadir a Rússia de novos ataques após a conclusão do tratado de paz.
Emmanuel Macron afirmou que a França agora fornece à Ucrânia "dois terços" das "capacidades de inteligência" necessárias para conter a Rússia — área na qual os Estados Unidos detinham anteriormente uma posição dominante —, acrescentando que os 34 países da Coalizão dos Dispostos estão financiando "100%" dos recursos alocados a Kiev.
Sobre o Irã, a França "pediu a cessação" dos ataques "hediondos" contra os manifestantes, mas também "que não se agrave a situação na região", insistiu. Donald Trump ameaça usar a força contra o regime dos aiatolás.
Com AFP