Apenas 256 parlamentares votaram a favor da moção da França Insubmissa e 142 pela do Reunião Nacional, enquanto a maioria necessária para derrubar o governo era de 288 votos em cada uma delas.
Os 27 Estados-membros aprovaram, na sexta-feira (9), a assinatura do tratado com o Mercosul, apesar da oposição da França, abrindo caminho para sua ratificação. O Reunião Nacional e a França Insubmissa pretendiam denunciar o que chamaram de "hipocrisia" e "capitulação" do governo francês nessa questão.
"O Poder Executivo francês nunca tomou as medidas necessárias para impedir a adoção deste acordo", afirmava o documento da França Insubmissa.
A apresentação de duas moções de censura, em meio às negociações do orçamento de 2026 na Assembleia Nacional, provocou a revolta do primeiro-ministro Sébastien Lecornu. Na semana passada, ele chegou a ameaçar dissolver o Parlamento caso alguma das moções fosse aprovada, antes de recuar diante do desconforto gerado pela iniciativa dentro do seu próprio partido.
O Partido Socialista (PS) e Os Republicanos (LR), de direita, já haviam anunciado, antes mesmo do debate na Assembleia, que não votariam a favor da moção de censura.
"Uma moção de censura na França não resolve absolutamente nada. Agora cabe ao Parlamento Europeu decidir isso", argumentou Bruno Retailleau, presidente do LR, nesta quarta-feira, em entrevista à rádio Europe 1.
Orçamento de 2026
Após a aprovação por maioria qualificada dos chefes de Estado e de governo dos 27 Estados-membros da UE, o Parlamento Europeu ainda votará, em 20 de janeiro, o acordo comercial com o Mercosul, o mercado comum sul-americano composto por Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.
O debate sobre as moções de censura ofuscou as discussões orçamentárias em curso na Assembleia Nacional francesa, embora tanto Sébastien Lecornu quanto o presidente Emmanuel Macron estejam ansiosos para que o Projeto de Lei de Finanças de 2026 (PLF) seja aprovado até o final do mês.
A possibilidade de invocar o Artigo 49.3 da Constituição, que permite a aprovação do texto sem votação, vem sendo cada vez mais discutida devido à falta de consenso entre os partidos. Ao assumir o governo, Sébastien Lecornu prometeu não "forçar" a aprovação do orçamento na Assembleia Nacional.
Com AFP