Movimento internacional convoca paralisação de mulheres para denunciar desigualdades de gênero

Inspirada na histórica greve das mulheres na Islândia, em 1975, quando cerca de 90% delas interromperam suas atividades por um dia, a organização World with Women convoca uma mobilização internacional em 13 de outubro para chamar a atenção para as desigualdades de gênero ainda existentes no mundo. A iniciativa reúne mulheres em mais de 20 países e terá seu ato central em Paris, na Place de la Bataille de Stalingrad (19° distrito), às 12h.

12 out 2026 - 13h48
Resumo
O movimento internacional World with Women convocou uma paralisação global de 24 horas no dia 13 de outubro para denunciar as desigualdades de gênero e dar visibilidade ao trabalho feminino. Inspirada na histórica greve da Islândia de 1975, a iniciativa nasceu na França e já atua em mais de 20 países com apoio de líderes e empresas. O objetivo é acelerar a igualdade econômica e política por meio de medidas concretas e de uma mobilização conjunta com a participação de homens e mulheres.

Adriana Moysés, da RFI em Paris

Em entrevista à RFI, a coordenadora internacional da WwW, a brasileira Ligia Paraiso, explicou que a organização nasceu na França, no primeiro semestre de 2026, a partir de uma reflexão simples: "O que é esse mundo sem as mulheres?". A resposta remete diretamente à experiência islandesa, considerada um marco na luta pelos direitos femininos.

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"Na Islândia, em 1975, 90% das mulheres pararam. Não foram trabalhar, não fizeram os serviços domésticos, não fizeram compras", recorda. Segundo Ligia, essa mobilização massiva causou uma verdadeira transformação social e mental. A principal proposta deste ato, concentrado em 24h, é justamente tornar visível um trabalho frequentemente invisibilizado.

"Nós iremos parar para que o invisível, ou seja, o trabalho da mulher, tenha mais visibilidade no mundo."

Embora seja uma organização recente, a WwW já ampliou sua presença internacional. De acordo com Ligia Paraiso, o movimento está ativo em mais de 20 países e reúne participantes em mais de 30 cidades francesas.

A iniciativa conta ainda com o apoio de personalidades de destaque na política e em organismos internacionais. Entre elas estão a ex-ministra francesa da Igualdade entre Mulheres e Homens, Élisabeth Moreno, a economista mexicana Gabriela Ramos, atualmente vice-diretora-geral da Unesco, e a ex-ministra tunisiana da Mulher, Família e Infância, Néziha Labidi.

Além da mobilização simbólica, o grupo pretende influenciar políticas públicas e práticas empresariais. Segundo Ligia, cerca de 250 organizações, associações e empresas já aderiram ao projeto. "Já estamos realmente com um apoio bem considerável", diz, citando entre os apoiadores entidades como a Climate House, a Orange Business e a Fondation des Femmes.

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Dez medidas concretas

A coordenadora afirma que a World with Women estruturou sua atuação em dez medidas concretas organizadas em cinco grandes compromissos: liberdade das mulheres, direitos das mulheres, melhor compartilhamento do poder, construção de um futuro mais justo e sustentável e promoção do interesse geral.

Para justificar a urgência da mobilização, ela cita dados das Nações Unidas. "Se continuarmos como estamos hoje, vamos levar 300 anos para alcançar a igualdade política e, em média, 134 anos para atingir a igualdade econômica", afirma. "Nós queremos mudar isso e acreditamos que a World with Women pode ser um catalisador para que não seja necessário esperar três séculos por essa igualdade."

Ato em Paris

No dia 13 de outubro, o movimento pretende reunir mulheres e homens em Paris e em diversas cidades ao redor do mundo. Na capital francesa, o ato está previsto às 12h, na Place de la Bataille de Stalingrad, no 19° distrito da capital. A orientação é que, sempre que possível, as mulheres interrompam suas atividades durante 24 horas. Para aquelas que não podem aderir à paralisação, a proposta é participar por meio das redes sociais.

"Mulheres que têm o privilégio de poder parar vão parar por aquelas que não podem", resume Ligia. Segundo ela, a mobilização também busca incluir mulheres que vivem em países onde manifestações desse tipo enfrentam restrições.

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Ligia faz questão de destacar que o movimento não se posiciona contra os homens. Pelo contrário, aposta em uma atuação conjunta para acelerar mudanças sociais. "Homens também são super bem-vindos. Nós não estamos contra os homens. Queremos essa mistura, essa ação conjunta. São mulheres e homens juntos para mudar o curso do futuro da história", conclui.

Mais informações sobre a mobilização estão disponíveis no site da organização e em suas páginas nas redes sociais.

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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