Influenciadora é suspeita de assumir tráfico ligado à máfia italiana após prisão do marido

Paula Simões Assisi foi presa em setembro; investigação aponta participação de advogado nas operações de envio de cocaína para Europa

11 out 2026 - 21h31
Influencer Paula Simões, suspeita de assumir parte das operações de tráfico internacional de cocaína de uma organização ligada à máfia italiana 'Ndrangheta.
Influencer Paula Simões, suspeita de assumir parte das operações de tráfico internacional de cocaína de uma organização ligada à máfia italiana 'Ndrangheta.
Foto: Reprodução / Instagram

A influenciadora digital Paula Simões Assisi, de 34 anos, é investigada por suspeita de assumir parte das operações de tráfico internacional de drogas ligadas à máfia italiana 'Ndrangheta após a prisão do marido, Patrick Assisi, em 2019. Segundo a Polícia Federal (PF), ela passou a atuar ao lado do advogado Patrick Raasch Cardoso na organização de remessas de cocaína para a Europa. Algumas imagens e novas informações sobre a investigação foram apresentadas pelo programa "Fantástico", da TV Globo, neste domingo, 11.

Paula e o advogado foram presos em 17 de setembro, durante a Operação Eredità, conduzida pela Polícia Federal em parceria com autoridades italianas. A investigação aponta que familiares e pessoas de confiança dos mafiosos mantiveram o esquema criminoso mesmo depois das prisões de integrantes da organização.

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Nas redes sociais, Paula se apresentava como influenciadora e compartilhava conteúdos sobre moda, beleza e rotina pessoal. Em setembro, tinha cerca de 30 mil seguidores no Instagram.

O marido, Patrick Assisi, e o sogro, Nicola Assisi, foram presos em julho de 2019, em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Os dois são apontados pelas autoridades como integrantes da 'Ndrangheta, organização criminosa originária da Calábria, no sul da Itália.

Segundo a investigação, os mafiosos utilizavam o Porto de Paranaguá, no Paraná, para enviar cocaína à Europa. A droga era escondida em contêineres de empresas que não tinham participação no esquema e apresentavam baixo risco nas inspeções.

Depois das prisões, Paula teria recebido autorização do marido para representar os interesses da organização no Brasil. O advogado Patrick Cardoso, por meio do contato reservado que mantinha com os presos, é suspeito de transmitir ordens e orientações sobre o funcionamento do esquema.

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Bilhetes enviados pelos presos da Operação Eredità, em 2019, com orientações sobre quem estava devendo para a máfia italiana
Foto: Reprodução / TV Globo

Entre os materiais apresentados pelo "Fantástico" estão fotografias de bilhetes enviados pelos mafiosos de dentro da prisão. Em uma das mensagens, Patrick Assisi orienta a esposa a cobrar dívidas e recuperar valores de pessoas ligadas à organização.

A investigação também identificou conversas sobre fornecedores, pagamentos e transporte de drogas. Em um dos diálogos apresentados na reportagem, Paula teria negociado com integrantes da máfia italiana o envio de 400 quilos de cocaína para a Europa. A conversa menciona valores e a necessidade de transportar a mercadoria até Paranaguá.

O jornal italiano Corriere della Calabria publicou, em 18 de setembro, detalhes de mensagens analisadas pelas autoridades italianas. Segundo o periódico, a influenciadora era identificada pelos apelidos de "Chanel" e "Maria" em conversas sobre o tráfico de drogas.

Em uma das negociações descritas pelo jornal, os envolvidos discutiam a compra de 420 quilos de cocaína, dos quais 300 teriam sido adquiridos. Para os investigadores italianos, as mensagens indicam que Paula precisava autorizar determinadas operações antes que os demais integrantes dessem continuidade às negociações.

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Em outra reportagem, publicada em 22 de setembro, o jornal detalhou a atuação atribuída ao advogado Patrick Cardoso. As investigações apontam que ele intermediava cobranças e pagamentos, além de transmitir orientações do marido de Paula aos integrantes da organização.

Dinheiro encontrado em um dos celulares de investigados pela Polícia Federal na suspeita de ligação com máfia italiana
Foto: Reprodução / TV Globo

Segundo o "Fantástico", o celular do advogado também continha fotografias dele com drogas e grandes quantias em dinheiro. A Polícia Federal suspeita ainda que Cardoso tenha utilizado a atividade profissional para manter relações criminosas com integrantes do Comando Vermelho.

Outro investigado é Franklin Rodrigues de Oliveira, identificado nas conversas pelo apelido de "BXX". Segundo a polícia, ele já atuava na organização antes das prisões de Nicola e Patrick Assisi e era responsável por remessas de drogas e movimentações financeiras.

Franklin também é apontado como uma ligação entre a máfia italiana e facções criminosas brasileiras. Em um vídeo encontrado no celular dele, aparecem mochilas e registros de entregas de dinheiro, com datas e valores. O investigado tentou fugir durante a chegada dos policiais, mas acabou preso em uma garagem.

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De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), a organização manteve contatos, fornecedores e canais de transporte após as prisões de 2019. As investigações associam a estrutura criminosa a 11 apreensões que somam mais de 4,6 toneladas de cocaína.

A Operação Eredità cumpriu sete mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão, além de determinar medidas de bloqueio de bens e valores. Os investigados podem responder por tráfico internacional de drogas, associação para o tráfico, organização criminosa e lavagem de dinheiro, conforme a participação atribuída a cada um.

Apreensões feitas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) durante a Operação Eredità, em 2019
Foto: Reprodução / TV Globo

O que dizem as defesas

Ao "Fantástico", a defesa de Paula Simões negou todas as acusações. O advogado afirmou que nenhuma quantidade de droga foi apreendida com a influenciadora e contestou a conclusão de que as atividades criminosas teriam continuado depois da prisão dos integrantes da família Assisi. Segundo a defesa, essa hipótese representa uma inferência da autoridade policial, e não um fato comprovado.

A defesa de Patrick Cardoso afirmou que o advogado sempre atuou dentro dos limites da advocacia ao longo de 25 anos de exercício profissional.

Os advogados de Franklin Rodrigues de Oliveira informaram que não vão comentar as acusações contra o cliente e que pretendem demonstrar a inocência dele à Justiça.

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Fonte: Portal Terra
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