O slogan "Made in Europe" (feito na Europa), defendido já há algum tempo pela França, agora é praticamente consenso entre os 27 países do bloco. O jornal Le Monde destaca que a Alemanha, confrontada com a perda de 10 mil empregos na indústria por mês, deixou de se opor à medida.
Os industriais europeus poderão agora se beneficiar de financiamento público em setores estratégicos, como automobilismo, aço e energia nuclear, se a maior parte dos projetos contar com tecnologias e componentes oriundos do bloco.
Os 27 Estados-membros ainda precisam definir como será a participação dos países com os quais a UE tem tratados de livre comércio. A China, que não tem nenhum tipo de acordo com o bloco, não poderá se beneficiar de nenhum apoio público europeu.
Principal vítima do chamado projeto de "aceleração industrial", espera-se que Pequim tente convencer a UE a voltar atrás na decisão.
O jornal Libération aponta que, 200 anos após a primeira revolução industrial, o projeto tem o desafio de "evitar a extinção do setor no Velho Continente", que emprega 30 milhões de trabalhadores. Trata-se de uma "mudança de doutrina impensável alguns meses atrás", destaca Stéphane Séjourné, o comissário francês para a indústria junto à UE.
A guerra no Oriente Médio apenas reforça a necessidade de defender e reforçar setores estratégicos no continente, ele acrescenta. A proposta não significa, no entanto, o fechamento do mercado europeu, reiterou a Comissão Europeia.