Incidentes na Dinamarca e na Lituânia aumentam tensão militar no Báltico

Um helicóptero militar dinamarquês foi alvo de disparos de sinalizadores por uma fragata russa no mar Báltico, enquanto caças da Otan derrubaram um drone que invadiu o espaço aéreo da Lituânia. Os dois episódios, ocorridos em meio ao agravamento das tensões entre a Rússia e os países da região, reforçam o clima de alerta nos Estados bálticos e no norte da Europa diante da guerra na Ucrânia.

15 set 2026 - 04h57
Resumo
A tensão militar no Báltico cresceu após uma fragata russa disparar sinalizadores contra um helicóptero da Dinamarca e caças da Otan abaterem um drone vindo de Belarus na Lituânia. Os episódios reacendem o alerta sobre o transbordamento da guerra na Ucrânia e reacendem debates sobre dissuasão nuclear na região. Paralelamente, a Rússia bombardeou Kiev, enquanto a Ucrânia atingiu o sul russo, em meio a discussões intermediadas pelos EUA para cessar ataques a infraestruturas energéticas.

A Dinamarca informou que convocou o embaixador da Rússia para prestar esclarecimentos após um incidente envolvendo uma aeronave militar do país. Segundo as Forças Armadas dinamarquesas, um helicóptero Fennec que realizava uma operação rotineira de reconhecimento fotográfico próxima a uma fragata russa em águas internacionais, ao largo da cidade de Gedser, foi alvo de dois sinalizadores disparados pela embarcação na segunda-feira (14).

Bombeiro trabalha no local de uma empresa privada atingida por mísseis e drones russos em Kiev. 8 de setembro de 2026.
Bombeiro trabalha no local de uma empresa privada atingida por mísseis e drones russos em Kiev. 8 de setembro de 2026.
Foto: REUTERS - Valentyn Ogirenko / RFI

De acordo com o comunicado militar, um dos artefatos passou muito próximo da aeronave. O chanceler dinamarquês, Lars Lokke Rasmussen, classificou o episódio como "totalmente inaceitável" e anunciou a convocação do representante diplomático russo.

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Alerta reforçado na fronteira oriental da Otan

Em outro episódio ocorrido na região do Báltico, o presidente da Lituânia, Gitanas Nauseda, anunciou que caças da Otan abateram durante a madrugada um drone que havia penetrado o espaço aéreo do país.

Segundo Nauseda, a aeronave não tripulada foi rapidamente interceptada pelos aviões da aliança militar. As autoridades lituanas não divulgaram oficialmente a origem do drone, mas informações preliminares citadas pela rádio pública LRT indicam que o aparelho entrou no território lituano vindo de Belarus e seguia em direção ao oeste antes de cair em uma área rural próxima ao lago Kaunas.

O ministro das Relações Exteriores da Lituânia, Kestutis Budrys, agradeceu aos aliados da Otan pela resposta rápida e afirmou que a presença da aliança contribui para a proteção do espaço aéreo e para o reforço da segurança do país.

Os incidentes ocorrem em um contexto de crescente preocupação dos países bálticos com possíveis transbordamentos da guerra na Ucrânia. Na mesma noite em que o drone foi abatido, a Polônia informou ter mobilizado operações aéreas militares em razão de ataques realizados por drones russos contra alvos em território ucraniano.

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Lituânia, Letônia e Estônia, ex-repúblicas da União Soviética, relatam com frequência incursões de drones em suas fronteiras desde o início da invasão russa da Ucrânia, em 2022. Em maio deste ano, um caça da Otan derrubou sobre a Estônia um drone ucraniano, no primeiro caso de interceptação de uma aeronave estrangeira pela missão de policiamento aéreo da aliança em um país báltico desde o início do conflito.

As tensões também se refletem no debate sobre defesa e dissuasão nuclear na região. Em julho, Nauseda afirmou que desejava a participação da Lituânia no sistema de dissuasão nuclear ocidental. O país iniciou posteriormente um processo para remover o impedimento constitucional ao armazenamento de armas nucleares em seu território.

A proposta provocou reação imediata de Moscou. Na semana passada, o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, declarou que, caso armamentos nucleares sejam instalados na Lituânia e apontados para a Rússia, o território lituano também passará a estar na mira do arsenal nuclear russo.

Ataque russo a Kiev

Um drone russo atingiu um posto de gasolina em Kiev na madrugada de segunda para terça-feira (15), anunciou o prefeito da capital ucraniana, Vitali Klitschko, via Telegram, acrescentando que a Rússia também realizou ataques contra armazéns em outro local fora da cidade.

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Uma explosão foi ouvida em Kiev nas primeiras horas da manhã.

Este ataque ocorre depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou na segunda-feira que a Ucrânia e a Rússia concordaram em cessar os ataques à infraestrutura energética uma da outra.

Moscou começou recentemente a atacar postos de gasolina em Kiev, depois de atingir cerca de 300 postos de gasolina ucranianos nos últimos meses, principalmente em regiões de fronteira.

Na Rússia, um ataque de míssil ucraniano danificou, durante a noite, um armazém pertencente à varejista online Ozon na cidade portuária de Taganrog, no sul do país, disse o governador regional no Telegram.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse na noite de segunda-feira que Kiev estava disposta a apoiar a proposta dos EUA de suspender os ataques contra instalações de energia, sob a condição de que Washington pudesse garantir que Moscou estivesse realmente pronta para encerrar o conflito.

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