França convoca embaixador do Irã após acusações de repressão a protestos estudantis: 'desinformação de Teerã'

A França convocou nesta quarta-feira (7) o embaixador da República Islâmica do Irã em Paris para questionar o que classificou como uma campanha de desinformação promovida por Teerã sobre repressão aos movimentos de estudantes do ensino médio e universitários franceses. Um novo dia de mobilização previsto para quinta-feira (8).

7 out 2026 - 14h53
Resumo
A França convocou o embaixador do Irã após Teerã acusar Paris de violar direitos humanos e reprimir com violência protestos estudantis franceses. O governo francês classificou as críticas como provocações inadmissíveis e parte de uma campanha de desinformação iraniana, rejeitando a convocação prévia de seu representante diplomático. O episódio acirra a recente crise diplomática entre os dois países, já desgastada por divergências mútuas e pelo fechamento de centros culturais em Teerã.

Em comunicado, o Ministério das Relações Exteriores da França considerou "absolutamente inadmissíveis" as informações divulgadas por contas oficiais da diplomacia iraniana nas redes sociais e criticou a convocação, na véspera, do embaixador francês em Teerã pelas autoridades iranianas.

Manifestantes participam de um bloqueio de rua durante uma manifestação de solidariedade aos alunos do ensino médio nas proximidades da Sciences Po Paris, em 7 de outubro de 2026.
Manifestantes participam de um bloqueio de rua durante uma manifestação de solidariedade aos alunos do ensino médio nas proximidades da Sciences Po Paris, em 7 de outubro de 2026.
Foto: AFP - JULIEN DE ROSA / RFI

"Essas provocações inaceitáveis devem cessar", diz o comunicado do ministro da Europa e das Relações Exteriores, Jean-Noël Barrot.

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A tensão entre os dois países aumentou após declarações de autoridades iranianas sobre a forma como a França vem lidando com a mobilização estudantil, iniciada em 17 de setembro na região de Paris e posteriormente ampliada para diversas cidades do país.

No domingo (4), o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaïl Baghaï, condenou o que chamou de "violência desproporcional" das forças de segurança francesas contra os manifestantes. Segundo ele, a repressão ao movimento seria "injustificável" e Paris deveria respeitar os direitos e as liberdades fundamentais dos cidadãos.

As críticas iranianas ganharam força depois dos confrontos registrados na sexta-feira (2), quando uma nova jornada de bloqueios de escolas terminou com mais de 1.700 detenções em todo o país.

Enquanto as mobilizações dos alunos do ensino médio na França continuam nesta quarta-feira, o governo afirma que a mobilização está em "recuo", com "459 escolas com suspensão total ou parcial das aulas", contra 891 no dia anterior. Paralelamente, os sindicatos da Educação convocam greve e manifestação na quinta-feira (8) para continuar apoiando o movimento dos alunos do ensino médio. 

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Irã denunciou "resposta violenta" das autoridades francesas

Na terça-feira (6), Teerã convocou o embaixador francês no Irã, Pierre Cochard. O governo iraniano denunciou uma "resposta violenta" das autoridades francesas aos protestos estudantis e acusou as forças de segurança de cometer violações dos direitos humanos durante as manifestações. A diplomacia iraniana também afirmou ter lembrado à França de suas obrigações internacionais na área dos direitos fundamentais.

Em resposta, Paris acusou o Irã de divulgar informações falsas sobre a situação na França e rejeitou as críticas de Teerã. Para o governo francês, a convocação do embaixador francês foi "infundada" e faz parte de uma campanha de desinformação das autoridades iranianas.

O episódio ocorre em um contexto de relações já deterioradas entre os dois países. Nas últimas semanas, França e Irã trocaram acusações diplomáticas após o fechamento do Centro de Língua Francesa em Teerã e divergências envolvendo diplomatas franceses que atuavam na capital iraniana.

Com agências

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