Macron assiste a exercício de míssil nuclear para enviar 'mensagem forte e clara' a adversários

O presidente francês, Emmanuel Macron, acompanhou, nesta terça-feira (6), o primeiro disparo de um míssil intercontinental lançado de um submarino nuclear na região do Finistère, noroeste da França. O líder centrista compartilhou as imagens do exercício nas redes sociais, evocando a necessidade de enviar uma "mensagem (...) forte e clara" aos adversários da França.

6 out 2026 - 14h08
Resumo
O presidente Emmanuel Macron acompanhou o teste bem-sucedido do míssil balístico estratégico M51.3, disparado sem carga nuclear a partir de um submarino no Atlântico Norte. A ação, realizada a bordo de uma fragata militar em sigilo, teve como objetivo validar as capacidades operacionais do país e enviar uma mensagem contundente de dissuasão a adversários internacionais, com foco na Rússia, reforçando a modernização da defesa francesa diante do aumento das tensões na Europa.

"Pouquíssimas nações dispõem de tal expertise", afirmou o presidente francês na rede social X, em uma mensagem acompanhada de um vídeo que mostra o lançamento. "Nossa dissuasão nuclear nos protege e continuará a nos proteger", acrescentou ele, após ter feito sucessivos alertas, nas últimas semanas, sobre as "ameaças" russas.

O presidente francês, Emmanuel Macron, assistiu nesta terça-feira (6) ao disparo de um míssil intercontinental a partir de uma fragata da Marinha do país na região do Finistère, no noroeste da França.
O presidente francês, Emmanuel Macron, assistiu nesta terça-feira (6) ao disparo de um míssil intercontinental a partir de uma fragata da Marinha do país na região do Finistère, no noroeste da França.
Foto: AFP - BENJAMIN PAPIN / RFI

A presidência francesa indicou que Macron assistiu ao teste a partir de uma fragata da Marinha do país. A viagem não havia sido anunciada previamente e ocorreu sem a presença da imprensa.

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No vídeo publicado na rede social X, o presidente francês aparece conversando com militares a bordo da embarcação. "Hoje estamos mais fortes, e acredito que a mensagem foi recebida de forma clara e contundente por todos aqueles que deveriam recebê-la", afirma.

Sem carga nuclear

O artefato lançado — a terceira versão do míssil balístico estratégico mar-solo M51, que entrou em serviço há um ano — estava "sem carga nuclear". Ele caiu "no Atlântico Norte, a várias centenas de quilômetros de qualquer costa", informou o Ministério das Forças Armadas da França em um comunicado.

De acordo com o Ministério das Forças Armadas, o lançamento realizado foi efetuado no âmbito da operação Smertrios. O objetivo foi validar a capacidade da embarcação de operar o míssil M51 após um período de manutenção e reparos programados. O comunicado informou ainda que o míssil foi monitorado durante toda a sua trajetória de voo, "em estrito cumprimento dos compromissos internacionais assumidos pela França".

O país colocou em operação há um ano essa nova versão de mísseis intercontinentais, instalados em submarinos. Na ocasião, o governo francês classificou a medida como "uma etapa fundamental na modernização do componente oceânico da dissuasão nuclear francesa".

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Contexto de tensão

A participação de Macron no teste ocorre em um contexto de tensão crescente na Europa. Em setembro, o presidente francês já havia alertado para uma mudança na natureza da "agressividade russa e das ameaças" contra os países europeus, após uma série de ataques "híbridos" atribuídos a Moscou. Segundo ele, essas ações não ficarão "sem resposta". 

Neste ano, o líder centrista também propôs que os países europeus participem da dissuasão nuclear "ampliada", baseada na sua nova estratégia apresentada no primeiro semestre. O modelo mantém exclusivamente nas mãos do chefe de Estado francês a decisão sobre um eventual uso de armas nucleares.

"Para ser livre, é preciso ser temido. "E, para ser temido, é preciso ser poderoso", resumiu o chefe de Estado no post publicado nesta terça-feira. "Este sucesso técnico é uma nova demonstração da credibilidade da nossa dissuasão, cuja perenidade está assegurada", reiterou Macron. 

Com informações da AFP

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