O presidente Emmanuel Macron acompanhou o teste bem-sucedido do míssil balístico estratégico M51.3, disparado sem carga nuclear a partir de um submarino no Atlântico Norte. A ação, realizada a bordo de uma fragata militar em sigilo, teve como objetivo validar as capacidades operacionais do país e enviar uma mensagem contundente de dissuasão a adversários internacionais, com foco na Rússia, reforçando a modernização da defesa francesa diante do aumento das tensões na Europa.
"Pouquíssimas nações dispõem de tal expertise", afirmou o presidente francês na rede social X, em uma mensagem acompanhada de um vídeo que mostra o lançamento. "Nossa dissuasão nuclear nos protege e continuará a nos proteger", acrescentou ele, após ter feito sucessivos alertas, nas últimas semanas, sobre as "ameaças" russas.
A presidência francesa indicou que Macron assistiu ao teste a partir de uma fragata da Marinha do país. A viagem não havia sido anunciada previamente e ocorreu sem a presença da imprensa.
No vídeo publicado na rede social X, o presidente francês aparece conversando com militares a bordo da embarcação. "Hoje estamos mais fortes, e acredito que a mensagem foi recebida de forma clara e contundente por todos aqueles que deveriam recebê-la", afirma.
À bord de la frégate multi-missions Auvergne, j'ai assisté au premier tir du nouveau missile balistique M51.3 depuis le sous-marin nucléaire lanceur d'engins Le Vigilant. Très peu de nations disposent d'un tel savoir-faire. Félicitations à tous les acteurs de cette réussite exceptionnelle : DGA, CEA, Ariane Group, Naval Group et Marine nationale. Votre professionnalisme, votre rigueur et votre maîtrise technique sont la fierté de la France. Ce succès technique est une nouvelle démonstration de la crédibilité de notre dissuasion, dont la pérennité est assurée. Pour être libre, il faut être craint. Et pour être craint, il faut être puissant. Pour protéger les Français dans la durée face aux menaces, j'ai engagé dès 2017 le renouvellement de nos moyens pour les décennies à venir. En dix ans, le budget de nos armées aura doublé. Nos futurs sous-marins stratégiques sont actuellement en chantier. Le programme de missiles stratégiques hypersoniques et manœuvrants, qui équiperont notre composante aérienne de dissuasion, a été lancé cette année. Notre dissuasion nucléaire nous protège et continuera à nous protéger. Vive la République et vive la France.
— Emmanuel Macron (@EmmanuelMacron) October 6, 2026
Sem carga nuclear
O artefato lançado — a terceira versão do míssil balístico estratégico mar-solo M51, que entrou em serviço há um ano — estava "sem carga nuclear". Ele caiu "no Atlântico Norte, a várias centenas de quilômetros de qualquer costa", informou o Ministério das Forças Armadas da França em um comunicado.
De acordo com o Ministério das Forças Armadas, o lançamento realizado foi efetuado no âmbito da operação Smertrios. O objetivo foi validar a capacidade da embarcação de operar o míssil M51 após um período de manutenção e reparos programados. O comunicado informou ainda que o míssil foi monitorado durante toda a sua trajetória de voo, "em estrito cumprimento dos compromissos internacionais assumidos pela França".
O país colocou em operação há um ano essa nova versão de mísseis intercontinentais, instalados em submarinos. Na ocasião, o governo francês classificou a medida como "uma etapa fundamental na modernização do componente oceânico da dissuasão nuclear francesa".
Contexto de tensão
A participação de Macron no teste ocorre em um contexto de tensão crescente na Europa. Em setembro, o presidente francês já havia alertado para uma mudança na natureza da "agressividade russa e das ameaças" contra os países europeus, após uma série de ataques "híbridos" atribuídos a Moscou. Segundo ele, essas ações não ficarão "sem resposta".
Neste ano, o líder centrista também propôs que os países europeus participem da dissuasão nuclear "ampliada", baseada na sua nova estratégia apresentada no primeiro semestre. O modelo mantém exclusivamente nas mãos do chefe de Estado francês a decisão sobre um eventual uso de armas nucleares.
"Para ser livre, é preciso ser temido. "E, para ser temido, é preciso ser poderoso", resumiu o chefe de Estado no post publicado nesta terça-feira. "Este sucesso técnico é uma nova demonstração da credibilidade da nossa dissuasão, cuja perenidade está assegurada", reiterou Macron.
Com informações da AFP