França confirma primeiro caso de ebola em médico que retornou da República Democrática do Congo

Pela primeira vez, um caso de ebola foi identificado em território francês, em um médico que retornou da República Democrática do Congo, palco de uma grave epidemia da doença. Segundo as autoridades sanitárias francesas, o paciente está isolado.

24 jun 2026 - 07h59
(atualizado às 08h28)

Em comunicado, o Ministério da Saúde da França confirmou "a identificação de um primeiro caso positivo de doença pelo vírus ebola no território nacional". Segundo as autoridades sanitárias do país, a contaminação foi registrada no território francês. A situação está sendo acompanhada "de perto" pelo primeiro‑ministro francês, Sébastien Lecornu, reitera a nota. 

Essa é a primeira vez que um caso de ebola é diagnosticado na França. Em 2014, durante uma grande epidemia na África Ocidental, dois pacientes haviam sido acolhidos em território francês, mas depois de terem sido diagnosticados no exterior. Na mesma época, algumas contaminações foram detectadas em solo americano e britânico. 

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Segundo o Ministério da Saúde da França, todas as medidas de precaução foram adotadas desde a volta do médico ao país. Ele foi levado a um hospital em condições seguras e colocado sob isolamento "para evitar qualquer risco de contaminação".

Além disso, uma investigação está em andamento para identificar possíveis contatos próximos ao paciente. De acordo com o comunicado, eles serão instruídos a cumprir isolamento domiciliar por 21 dias.

Risco de transmissão permanece baixo

A República Democrática do Congo, de onde retornou o médico diagnosticado, enfrenta no momento uma grande epidemia de ebola, que se manifesta por uma febre hemorrágica frequentemente fatal. Mas especialistas em saúde pública consideram amplamente que o risco de transmissão do vírus permanece baixo em escala global, devido ao caráter relativamente pouco contagioso.

"O Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças avaliou como baixo o risco de infecção para os residentes europeus e para os viajantes que se deslocam a zonas de circulação ativa, e muito baixo para a população europeia em geral', lembra o Ministério da Saúde da França.

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) havia indicado, em meados de junho, que a transmissão da epidemia estava se acelerando na República Democrática do Congo, apesar do reforço das medidas de resposta sanitária. No total, a doença contaminou 1.048 pessoas e provocou 267 mortes no país, um dos mais pobres do mundo. Mas muitos especialistas consideram provável que esses números estejam subestimados, já que a epidemia atinge regiões extremamente remotas.

Ausência de vacina e medicamentos

A atual epidemia é causada pela rara cepa Bundibugyo, para a qual não existe tratamento específico. As vacinas atualmente disponíveis contra o ebola, desenvolvidas entre 2018 e 2019, são eficazes apenas contra a cepa Zaire, que provocou grandes surtos no passado.

A OMS declarou uma emergência de saúde pública de importância internacional e advertiu que as contaminações poderão continuar sendo detectadas por vários meses.

RFI com AFP 

A RFI é uma rádio francesa e agência de notícias que transmite para o mundo todo em francês e em outros 15 idiomas.
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