"Há vários feridos leves", e o serviço foi interrompido entre Cartagena e Los Nietos, explicou uma porta-voz da Renfe, especificando que o trem não descarrilou. Ela esclareceu que "um guindaste externo", que não pertencia à Renfe, esteve envolvido no choque.
A gestora da rede ferroviária espanhola, Adif, anunciou que o serviço foi retomado aproximadamente 1h30 após o acidente. Contatados pela AFP, os serviços regionais de emergência confirmaram que foram chamados às 12h04 para atender a um acidente na cidade de Alumbres, que resultou em "vários feridos leves", mas não forneceram um número exato.
Esta colisão ocorre em um momento em que a segurança do sistema ferroviário espanhol é questionada, após dois acidentes graves deixarem 44 mortos desde domingo (18). O primeiro foi o desastre em Adamuz, na Andaluzia (sul da Espanha), onde pelo menos 43 pessoas morreram na noite de domingo na colisão de dois trens de alta velocidade. As causas da tragédia estão sendo investigadas. O número de mortos permanece provisório, enquanto as equipes de resgate procuram por outros corpos nos destroços.
Dois dias depois, na Catalunha, um trem metropolitano que seguia para Barcelona (nordeste) colidiu com os destroços de um muro de contenção que desabou sobre os trilhos, perto da pequena cidade de Gelida. O condutor morreu e outras cinco pessoas ficaram gravemente feridas. Chovia forte no momento do acidente, na noite de terça-feira.
Um terceiro descarrilamento na rede ferroviária regional de Barcelona foi causado por um deslizamento de rochas sobre os trilhos durante a mesma tempestade, mas não houve feridos, segundo a Adif, operadora da rede ferroviária nacional da Espanha.
Greve de maquinistas em fevereiro
Nesse contexto de grande tensão, o principal sindicato dos maquinistas convocou uma greve de três dias, de 9 a 11 de fevereiro, para exigir medidas que melhorem a segurança no transporte ferroviário.
"Não podemos e não devemos questionar nossa rede (ferroviária), nem o transporte público do nosso país. Não é perfeito, nem infalível, mas é um excelente sistema de transporte", respondeu o Ministro dos Transportes, Óscar Puente, em coletiva de imprensa na noite de quarta-feira.
Ele disse que queria "atender às reivindicações" dos maquinistas, mas esperava que a greve fosse cancelada. O país ainda lamentava as vítimas do desastre do trem Adamuz na quarta-feira, o segundo dia de um período de luto nacional de três dias.
Na quarta-feira, a oposição atacou o governo de esquerda do primeiro-ministro Pedro Sánchez, denunciando investimentos insuficientes na rede ferroviária nacional. O líder socialista prometeu "transparência absoluta" em relação à tragédia de Adamuz.
Investigação 'muito complexa'
No local, equipamentos de construção continuam trabalhando ao redor dos dois trens que descarrilaram no domingo. Naquela noite, os três últimos vagões de um trem com destino a Madri, operado pela empresa privada Iryo — controlada majoritariamente pelo grupo italiano Trenitalia — descarrilaram e invadiram a linha adjacente, colidindo violentamente com um trem da Renfe, a companhia ferroviária nacional espanhola, que seguia na direção oposta.
Os dois trens de alta velocidade, viajando a mais de 200 km/h, transportavam mais de 500 passageiros no total. Segundo a imprensa espanhola, a investigação está concentrada na hipótese de uma ruptura de trilho de mais de 30 centímetros no local do acidente. Puente alertou que a investigação será "longa" e "muito complexa", e que a publicação de um relatório final poderá levar vários meses.
Com 4.000 quilômetros de trilhos, a rede ferroviária espanhola de alta velocidade é a segunda maior do mundo, depois da China, e um motivo de orgulho do país. A Espanha, segundo destino turístico mais popular do mundo, não registrava acidentes graves envolvendo trens desde 2013, quando um descarrilamento matou 80 pessoas perto de Santiago de Compostela (noroeste).
Com AFP