Os incêndios que atingem Espanha e França evoluíram de forma desigual ao longo da madrugada. Na região de Madri, autoridades confirmam que a progressão das chamas perdeu intensidade e que três frentes permanecem ativas, mas com comportamento menos agressivo.
A desaceleração permitiu planejar os primeiros retornos de moradores, condicionados à segurança, além da retomada de serviços locais como o transporte entre Villamanta e a capital. O camping de El Escorial, cuja evacuação envolveu 4.500 pessoas, deve receber um horário oficial de reabertura ainda nesta segunda-feira (27), assim como uma casa de repouso em San Martín de Valdeiglesias.
Equipes que atuam na área de Castela e Leão relatam vastas áreas devastadas pelo fogo, com pinheiros queimados e casas poupadas de forma irregular. Ainda há fumaça saindo do solo em vários pontos, e também foram encontrados animais mortos, como um filhote de cervo, além de residências destruídas. Segundo as autoridades espanholas, cerca de 75 mil pessoas foram deslocadas nas regiões afetadas, incluindo áreas próximas a Madri e Valência, onde aproximadamente 7 mil hectares já foram consumidos pelas chamas.
O primeiro-ministro Pedro Sánchez classificou os incêndios como "a expressão mais dolorosa de uma urgência climática", associando a intensidade das chamas à combinação de seca prolongada e ondas de calor sucessivas. Ele afirmou que episódios dessa escala "já não são exceção".
Instabilidade na região de Bordeaux
Na França, a situação continua mais instável. Na região de Bordeaux, o incêndio que já atingiu cerca de 42 mil hectares apresenta menos focos ativos, mas ainda não está sob controle. O Serviço Departamental de Incêndio e Resgate da região afirma que a situação melhorou em relação aos momentos mais críticos, mas ressalta que os bombeiros ainda não dominam completamente as chamas. A prefeitura descreveu a noite como relativamente tranquila, sem avanço significativo do fogo, mas ainda sem condições para o retorno dos moradores evacuados.
O governo francês acompanha a crise de perto. Emmanuel Macron preside nesta segunda-feira uma reunião interministerial dedicada aos incêndios, enquanto a agência meteorológica Météo-France prevê para terça-feira (28) uma nova onda de calor, com temperaturas próximas dos 40°C e ventos mais secos. Segundo as autoridades locais, essa combinação pode reativar focos de incêndio e comprometer a melhora observada durante a madrugada. Em áreas atingidas, a avaliação é de que a trégua pode ser apenas temporária.
Chuva fraca
Nas estradas que ligam Bordeaux ao litoral, o cenário é de quilômetros de floresta devastada pelas chamas e ainda soltando fumaça. Bombeiros combatem pequenos focos que persistem na vegetação, enquanto casas destruídas revelam objetos isolados - como uma carroça e brinquedos - em meio aos escombros. Uma chuva fraca durante a noite trouxe algum alívio para a região de Saint-Jean-d'Illac, cidade localizada a cerca de 18 quilômetros a oeste de Bordeaux, mas as equipes de emergência alertam que o fogo pode voltar a ganhar força a qualquer momento.
Desde o início do ano, cerca de 115 mil hectares já foram atingidos por incêndios na França, segundo o ministro do Interior, Laurent Nuñez, que classificou a situação como excepcional. Na região de Bordeaux, a retirada preventiva de aproximadamente 220 mil moradores e de trabalhadores de mais de 13 mil empresas é considerada sem precedentes.
Seguradoras darão apoio aos desabrigados
O ministro da Economia, Roland Lescure, anunciou que as seguradoras vão cobrir despesas de hospedagem temporária por até três semanas, mesmo para proprietários cujos imóveis não tenham sido danificados.
No departamento de Landes, no sudoeste do país, o incêndio de Biscarrosse destruiu cerca de 3.600 hectares e atingiu 198 edificações. Aproximadamente 8 mil dos 30 mil moradores retirados de suas casas já puderam retornar após uma noite considerada relativamente tranquila, segundo o prefeito Gilles Clavreul.
No departamento de Var, no sul, onde 2 mil pessoas foram retiradas por precaução, o incêndio é considerado controlado, apesar de algumas retomadas provocadas pelo vento mistral. Há também focos ativos na Córsega e nos Alpes franceses.
Autoridades francesas e espanholas afirmam que a vegetação e os solos estão excepcionalmente secos há meses. A situação, agravada pelas recentes ondas de calor e pelos efeitos das mudanças climáticas, favorece a propagação das chamas e dificulta o trabalho de combate aos incêndios.
Com AFP