Dona de uma filmografia ampla e de projeção internacional, a atriz atuou em filmes de François Truffaut (A Noite Americana), Xavier Dolan (É Apenas o Fim do Mundo), além de trabalhos com Bertrand Blier (Nossa História), Tonie Marshall (Instituto de Beleza Vênus) e Claude Chabrol (A Flor do Mal).
Baye também teve uma passagem por Hollywood, interpretando a mãe de Leonardo DiCaprio em Prenda-me Se For Capaz, de Steven Spielberg. Atuou ainda em comédias, como o remake francês da série britânica Absolutely Fabulous, e participou do filme Downton Abbey 2, no papel de Madame de Montmirail.
"De Truffaut a Godard, de Daniel Vigne a Spielberg, Nathalie era a atriz francesa por excelência, a boa amiga. Uma atriz amada. Ela atuava, ela vivia", declarou Gilles Jacob, ex-presidente do Festival de Cannes, à AFP.
O presidente Emmanuel Macron prestou homenagem à atriz, descrevendo-a como "uma intérprete com quem amamos, sonhamos e crescemos". "Amávamos muito Nathalie Baye. Com sua voz, seus sorrisos e sua modéstia, ela acompanhou as últimas décadas do cinema francês, de François Truffaut a Tonie Marshall", afirmou, ao apresentar condolências "à sua família e aos entes queridos".
Atriz engajada
Nathalie Baye alcançou um feito raro ao conquistar tanto o público quanto a crítica especializada. Foi multipremiada no César, o principal prêmio do cinema francês, vencendo a estatueta por três anos consecutivos, entre 1981 e 1983, e novamente em 2006, por O Pequeno Tenente. Também recebeu a Copa Volpi no Festival de Cinema de Veneza, em 1999, por Um Caso de Amor.
Na reta final de sua carreira eclética, que somou quase cem filmes, suas aparições públicas tornaram-se menos frequentes. Em julho do ano passado, Baye cancelou sua participação no evento beneficente do qual era embaixadora. Na ocasião, sua única filha, a atriz Laura Smet, negou rumores de hospitalização.
Ativista engajada, Nathalie Baye assinou, em 2023, um manifesto ao lado de outras 109 personalidades, no qual pedia ao presidente Emmanuel Macron a revisão da legislação sobre morte assistida. No mesmo ano, também subscreveu um texto mais controverso: uma carta aberta de apoio ao ator Gérard Depardieu, investigado desde 2020, principalmente por acusações de estupro. Depardieu foi parceiro de cena de Baye, entre outros filmes, em O Retorno de Martin Guerre, de Daniel Vigne.
Com AFP