Novos ataques russos contra a infraestrutura energética da Ucrânia deixaram mortos e centenas de milhares sem eletricidade em Kiev e outras regiões. O presidente Volodymyr Zelensky denunciou que a capital foi atingida por mísseis sem alerta prévio dos aliados ocidentais, expondo falhas no apoio de inteligência em meio a tensões com os Estados Unidos. Zelensky criticou a Rússia por violar a proposta de cessar-fogo energético, enquanto Moscou afirmou ter abatido centenas de drones ucranianos.
Em Kiev, três pessoas morreram e vários bairros ficaram sem energia após uma usina elétrica ter sido atingida por um míssil, segundo o prefeito da capital, Vitali Klitschko. Duas mortes também foram registradas na região central de Dnipropetrovsk e outra, em Zaporíjia, no sudeste do país, informaram autoridades regionais.
O presidente Volodymyr Zelensky alegou que a ofensiva à capital aconteceu sem que a Ucrânia tivesse recebido qualquer alerta de seus aliados ocidentais.
"Ataque russo com míssil balístico contra Kiev. Mais uma vez, nenhum aviso prévio de nossos parceiros. O alvo principal era uma infraestrutura energética, mais precisamente a usina térmica número 4. Infelizmente, ela foi atingida", lamentou Zelensky nas redes sociais.
Nas últimas duas semanas, o exército russo retomou os bombardeios contra a infraestrutura energética ucraniana, provocando cortes significativos de eletricidade e gerando receio de um novo inverno extremamente difícil para a população.
A Russian ballistic missile attack on Kyiv. Once again, no early warning from our partners. The main target was energy infrastructure, specifically CHPP-4. Unfortunately, it was hit. A residential building was also damaged, and rescuers are currently putting out a fire there. Our systems detected these missiles only when they were already virtually on approach to Kyiv. CHPP-4 is one of Kyiv's key energy facilities. According to our intelligence, the Russians are preparing further ballistic missile launches. The facts show that the Russians do not consider themselves bound by what the President of the United States said. Ukraine supported an energy ceasefire. Russia is targeting yet another power plant and the lives of our people. And this is absolutely unjust: when they are destroying our energy infrastructure, and Ukraine is not even receiving early warnings about ballistic missile launches. It is important that the world does not stay silent about this. And it is important that the United States really see what is happening and who is responsible for this war continuing. Please stay safe tonight and tomorrow. We are working to replenish our air defenses with anti-ballistic missiles.
— Volodymyr Zelenskyy / Володимир Зеленський (@ZelenskyyUa) October 13, 2026
Dependência de inteligência ocidental
A Ucrânia depende da inteligência militar ocidental, especialmente a norte-americana, para detectar ataques russos e atingir alvos por conta própria. A recente tensão entre Zelensky e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, gera receio em Kiev de um enfraquecimento desse apoio crucial.
"Nossos sistemas só detectaram esses mísseis quando eles já estavam praticamente chegando a Kiev", acrescentou Volodymyr Zelensky, descrevendo a usina alvo como uma "instalação energética fundamental para a capital".
"Não apenas eles (os russos) estão destruindo nossa infraestrutura energética, como a Ucrânia sequer recebe alertas prévios sobre lançamentos de mísseis balísticos", lamentou o líder ucraniano.
O funcionamento de alguns terminais Starlink parece ter sido restringido durante a noite, declarou Sergiy Beskrestnov, consultor de tecnologia do presidente ucraniano.
"Nossas forças de defesa não foram avisadas sobre essa restrição, o que resultou na interrupção de várias missões. Evidentemente, essa medida não pode ser coincidência e está ligada à situação política atual", acrescentou Beskrestnov.
Um cenário semelhante já havia ocorrido no dia anterior, reforçando as suspeitas da Ucrânia. Na noite de segunda para terça-feira, os moradores de Kiev ouviram explosões causadas por ataques russos e, somente depois, o acionamento do alerta antiaéreo — um fenômeno que já aconteceu no passado, mas que até então era raro.
Volodymyr Zelensky disse que a Ucrânia não recebeu aviso do Ocidente durante esse ataque. Autoridades ucranianas atribuíram a situação, na terça-feira, ao uso de mísseis de difícil detecção pelo exército russo ou a possíveis "problemas técnicos".
"Desprezo ostensivo"
Para Zelensky, as ofensivas russas refletem um "desprezo ostensivo" por parte de Moscou em relação aos Estados Unidos, que sugeriram um "cessar-fogo energético" recentemente. Donald Trump havia afirmado ter obtido um acordo de Moscou e Kiev para uma trégua nos bombardeios a infraestruturas energéticas, algo que nenhuma das duas capitais confirmou.
O chefe de Estado ucraniano denunciou no X "uma operação de ataques direcionados com mísseis balísticos russos visando especificamente as infraestruturas energéticas — as mesmas infraestruturas abrangidas pelo cessar-fogo anunciado pelo presidente norte-americano".
"Essa operação foi totalmente deliberada e eloquente em sua magnitude; jamais a Rússia havia demonstrado tal desprezo ostensivo pelos Estados Unidos", disparou ele.
Por sua vez, a Rússia anunciou ter abatido 902 drones ucranianos durante a noite. Segundo o prefeito da capital russa, Sergei Sobyanin, "180 drones foram destruídos ao se aproximarem de Moscou". Os ataques perturbaram fortemente o funcionamento dos aeroportos moscovitas; as operações no aeroporto de Vnukovo foram suspensas por mais de oito horas, de acordo com as autoridades aeroportuárias.
RFI com agências