Ataques russos deixam mortos e 600 mil pessoas sem eletricidade na Ucrânia

Ataques russos atingiram a Ucrânia entre a noite de terça-feira (13) e a madrugada desta quarta-feira (14), provocando pelo menos seis mortes e danificando instalações de energia. As novas ofensivas em massa deixaram 600 mil pessoas sem eletricidade em diferentes regiões do país.

14 out 2026 - 06h18
Resumo
Novos ataques russos contra a infraestrutura energética da Ucrânia deixaram mortos e centenas de milhares sem eletricidade em Kiev e outras regiões. O presidente Volodymyr Zelensky denunciou que a capital foi atingida por mísseis sem alerta prévio dos aliados ocidentais, expondo falhas no apoio de inteligência em meio a tensões com os Estados Unidos. Zelensky criticou a Rússia por violar a proposta de cessar-fogo energético, enquanto Moscou afirmou ter abatido centenas de drones ucranianos.

Em Kiev, três pessoas morreram e vários bairros ficaram sem energia após uma usina elétrica ter sido atingida por um míssil, segundo o prefeito da capital, Vitali Klitschko. Duas mortes também foram registradas na região central de Dnipropetrovsk e outra, em Zaporíjia, no sudeste do país, informaram autoridades regionais.

Ataques russos atingiram a Ucrânia entre a noite de terça-feira e a madrugada desta quarta-feira, provocando pelo menos seis mortes e danificando instalações de energia.
Ataques russos atingiram a Ucrânia entre a noite de terça-feira e a madrugada desta quarta-feira, provocando pelo menos seis mortes e danificando instalações de energia.
Foto: © Genya SAVILOV / AFP / RFI

O presidente Volodymyr Zelensky alegou que a ofensiva à capital aconteceu sem que a Ucrânia tivesse recebido qualquer alerta de seus aliados ocidentais.

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"Ataque russo com míssil balístico contra Kiev. Mais uma vez, nenhum aviso prévio de nossos parceiros. O alvo principal era uma infraestrutura energética, mais precisamente a usina térmica número 4. Infelizmente, ela foi atingida", lamentou Zelensky nas redes sociais.

Nas últimas duas semanas, o exército russo retomou os bombardeios contra a infraestrutura energética ucraniana, provocando cortes significativos de eletricidade e gerando receio de um novo inverno extremamente difícil para a população.

Dependência de inteligência ocidental

A Ucrânia depende da inteligência militar ocidental, especialmente a norte-americana, para detectar ataques russos e atingir alvos por conta própria. A recente tensão entre Zelensky e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, gera receio em Kiev de um enfraquecimento desse apoio crucial.

"Nossos sistemas só detectaram esses mísseis quando eles já estavam praticamente chegando a Kiev", acrescentou Volodymyr Zelensky, descrevendo a usina alvo como uma "instalação energética fundamental para a capital".

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"Não apenas eles (os russos) estão destruindo nossa infraestrutura energética, como a Ucrânia sequer recebe alertas prévios sobre lançamentos de mísseis balísticos", lamentou o líder ucraniano.

O funcionamento de alguns terminais Starlink parece ter sido restringido durante a noite, declarou Sergiy Beskrestnov, consultor de tecnologia do presidente ucraniano.

"Nossas forças de defesa não foram avisadas sobre essa restrição, o que resultou na interrupção de várias missões. Evidentemente, essa medida não pode ser coincidência e está ligada à situação política atual", acrescentou Beskrestnov.

Um cenário semelhante já havia ocorrido no dia anterior, reforçando as suspeitas da Ucrânia. Na noite de segunda para terça-feira, os moradores de Kiev ouviram explosões causadas por ataques russos e, somente depois, o acionamento do alerta antiaéreo — um fenômeno que já aconteceu no passado, mas que até então era raro.

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Volodymyr Zelensky disse que a Ucrânia não recebeu aviso do Ocidente durante esse ataque. Autoridades ucranianas atribuíram a situação, na terça-feira, ao uso de mísseis de difícil detecção pelo exército russo ou a possíveis "problemas técnicos".

"Desprezo ostensivo"

Para Zelensky, as ofensivas russas refletem um "desprezo ostensivo" por parte de Moscou em relação aos Estados Unidos, que sugeriram um "cessar-fogo energético" recentemente. Donald Trump havia afirmado ter obtido um acordo de Moscou e Kiev para uma trégua nos bombardeios a infraestruturas energéticas, algo que nenhuma das duas capitais confirmou.

O chefe de Estado ucraniano denunciou no X "uma operação de ataques direcionados com mísseis balísticos russos visando especificamente as infraestruturas energéticas — as mesmas infraestruturas abrangidas pelo cessar-fogo anunciado pelo presidente norte-americano".

"Essa operação foi totalmente deliberada e eloquente em sua magnitude; jamais a Rússia havia demonstrado tal desprezo ostensivo pelos Estados Unidos", disparou ele.

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Por sua vez, a Rússia anunciou ter abatido 902 drones ucranianos durante a noite. Segundo o prefeito da capital russa, Sergei Sobyanin, "180 drones foram destruídos ao se aproximarem de Moscou". Os ataques perturbaram fortemente o funcionamento dos aeroportos moscovitas; as operações no aeroporto de Vnukovo foram suspensas por mais de oito horas, de acordo com as autoridades aeroportuárias.

RFI com agências

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