O governo dos Estados Unidos reincluiu nesta quinta-feira (28) a relatora especial da ONU para os Territórios Palestinos Ocupados, Francesca Albanese, na lista de sanções do Departamento do Tesouro, poucos dias após uma decisão judicial ter suspendido temporariamente as medidas impostas contra ela.
A atualização foi publicada no sistema da Oficina de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC), responsável pelas sanções financeiras norte-americanas.
A administração do presidente Donald Trump afirmou que a retirada anterior do nome de Albanese da lista de punições havia sido apenas provisória, em cumprimento a uma ordem judicial temporária.
As sanções contra a acadêmica italiana haviam sido impostas originalmente em 2025, sob acusações de antissemitismo e de incentivar ações do Tribunal Penal Internacional contra autoridades israelenses e norte-americanas, incluindo o premiê Benjamin Netanyahu.
Albanese, que acusou Israel de cometer genocídio em Gaza, nega as acusações e sustenta que suas declarações fazem parte de seu trabalho como especialista independente das Nações Unidas.
Na prática, as restrições contra a italiana incluem bloqueios financeiros que dificultam o uso de cartões de crédito e a realização de transações bancárias em nível global.
A suspensão das sanções havia sido determinada por um juiz federal de Washington, Richard Leon, que considerou provável uma violação do direito à liberdade de expressão de Albanese. No entanto, um tribunal de apelações do Distrito de Columbia autorizou temporariamente o restabelecimento das medidas enquanto o caso segue em análise.
Conhecida por suas críticas à ofensiva israelense na Faixa de Gaza, Albanese voltou a defender suas posições durante o lançamento de um livro em Milão na última quarta-feira (27). Na ocasião, afirmou que os ataques de 7 de outubro de 2023 ocorreram "também por causa da impunidade concedida a Israel, que mantém uma ocupação ilegal há 70 anos".
A decisão norte-americana provocou reações na política italiana.
O deputado Nicola Fratoianni, líder da Aliança Verde e Esquerda (AVS), classificou a medida como "mais um exemplo da arrogância da atual administração dos EUA".
"Já sabemos há algum tempo que a atual administração dos EUA é arrogante, imoral, incompetente e irresponsável, e toda a opinião pública global já se deu conta disso. Não passa de um grupo de especuladores e fanáticos reunidos em torno de Trump", afirmou Fratoianni em nota divulgada em Roma.
O parlamentar também criticou o governo da premiê Giorgia Meloni e questionou se o ministro das Relações Exteriores, Antonio Tajani, irá se posicionar em defesa de Albanese. Será que os dois "serão capazes de demonstrar seu patriotismo, ou continuarão a fechar os olhos, confirmando sua subserviência a Trump?", questionou. .