As Forças de Defesa de Israel (IDF) anunciaram nesta quinta-feira (28) um novo ataque "direcionado" contra Beirute, marcando a primeira ofensiva israelense contra a capital libanesa em três semanas.
Segundo a mídia libanesa, os bombardeios atingiram a região de Shuwayfat, ao sul da cidade, área densamente habitada e considerada reduto do Hezbollah.
De acordo com o portal israelense Ynet, o alvo da operação era um comandante da ala militar do Hezbollah. A imprensa libanesa relatou que um edifício residencial foi atingido e que há um número ainda desconhecido de vítimas.
Nos últimos dias, os Estados Unidos haviam pressionado Israel para evitar ataques contra Beirute, porque "não querem ver prédios desabando" na capital libanesa. Ainda assim, um alto funcionário israelense declarou que os chamados "ataques direcionados" não estariam incluídos nas restrições solicitadas pelo presidente Donald Trump.
Além da ofensiva em Beirute, Israel ampliou os ataques no sul do Líbano, especialmente nos arredores da cidade de Tiro. Pouco antes dos bombardeios, o exército israelense emitiu ordens de evacuação para moradores da região e declarou áreas ao sul do rio Zahrani como "zonas de combate".
O alerta atingiu milhares de civis que se preparavam para celebrar o feriado muçulmano de Eid al-Adha.
Em comunicado divulgado no Telegram, as IDF afirmaram que estavam "obrigadas a tomar medidas drásticas" contra a infraestrutura militar do Hezbollah.
A Agência Nacional de Notícias do Líbano (NNA) informou que ataques aéreos destruíram edifícios e provocaram incêndios em Tiro e em áreas próximas. Em Nabatieh, no sul do país, novos bombardeios também causaram "enorme destruição" em zonas residenciais.
Segundo o Ministério da Saúde libanês, o número total de mortos desde o início da guerra, em 2 de março, chegou a 3.269 pessoas, com 56 novas mortes registradas apenas no último dia.
Em resposta às operações israelenses, o Hezbollah lançou drones contra o norte de Israel. Segundo as IDF, uma soldado israelense morreu e dois reservistas ficaram feridos após a explosão de dois drones próximos à fronteira libanesa.
A militar morta foi identificada como a sargento Rotem Yanai, de 20 anos. De acordo com relatos iniciais, ela foi atingida enquanto corria para um abrigo. Um dos reservistas sofreu ferimentos graves.
Israel informou ter atacado mais de 135 alvos do Hezbollah nas últimas 24 horas, incluindo instalações militares, locais de lançamento de foguetes e um campo de treinamento na região do Vale do Beqaa.
Já o chefe das Forças Armadas israelenses, coronel Eyal Zamir, afirmou que as operações serão intensificadas para impedir novos ataques do Hezbollah.
Enquanto isso, cresce a preocupação internacional com uma possível escalada regional. A Alta Representante da União Europeia para Política Externa, Kaja Kallas, declarou que "o cessar-fogo no Líbano parece cada vez mais apenas formal" e alertou que "uma retomada da guerra em larga escala é uma possibilidade real".
Em meio à escalada, delegações militares do Líbano e de Israel devem participar de uma nova rodada de negociações diretas no Pentágono na próxima semana, em uma tentativa de reduzir as hostilidades e discutir mecanismos de segurança na fronteira.
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