"Estamos falando de semanas, não meses", disse o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, nesta sexta-feira (27/1), ao ser questionado sobre a duração prevista para a operação americana no Irã.
Rubio falou a jornalistas, após reunião com outros ministros das Relações Exteriores na cúpula do G7, na França — o grupo é composto por sete das economias mais avançadas do mundo: Canadá, França, Alemanha, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos.
Questionado sobre se os EUA estão considerando o envio de tropas para o Oriente Médio como parte de seus esforços para neutralizar o Irã, ele afirmou que os americanos podem atingir seus objetivos "sem nenhuma tropa terrestre".
Ele acrescentou que os EUA têm objetivos claros e que a administração de Donald Trump está "muito confiante" de estar prestes a alcançá-los "em breve".
Rubio foi questionado se espera que o Irã responda nesta sexta-feira ao plano de 15 pontos dos EUA com o objetivo de pôr fim à guerra no Oriente Médio.
A CBS News, parceira da BBC nos EUA, noticiou mais cedo, citando fontes, que a resposta iraniana seria esperada para esta sexta-feira. "Ainda não a recebemos", respondeu Rubio.
Os detalhes do plano de 15 pontos proposto pelos EUA, divulgados pelo Canal 12 de Israel, incluem o fim do programa nuclear e do programa de mísseis balísticos do Irã e o fim do apoio iraniano a "milícias por procuração", como os houthis no Iêmen e o Hezbollah no Líbano.
Inicialmente, o Irã rejeitou categoricamente o plano de 15 pontos dos EUA, classificando-o como "excessivo".
O ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, declarou posteriormente à TV estatal que "algumas ideias" haviam sido propostas aos principais líderes do país e que "se for necessário tomar uma posição, ela certamente será definida".
A imprensa estatal iraniana listou cinco condições para o fim da guerra, que incluem o pagamento de reparações de guerra, o reconhecimento internacional do "direito soberano do Irã de exercer autoridade sobre o Estreito de Ormuz" e a garantia de que o Irã não será atacado novamente.
Ainda após a reunião do G7, o secretário de Estado americano afirmou que o Irã pode querer implementar um sistema de pedágio no Estreito de Ormuz.
Ele classificou a medida como "inaceitável" e disse que o mundo inteiro deveria estar "indignado", acrescentando que os países mais afetados por um possível sistema de pedágio na rota marítima "deveriam fazer algo a respeito".
Cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito (GNL) do mundo normalmente passam pelo Estreito de Ormuz, e a guerra fez com que os preços globais dos combustíveis disparassem.
O petróleo do tipo Brent, referência do mercado mundial, voltou a ultrapassar os US$ 110 por barril nesta sexta-feira.
Isso apesar da declaração de Trump na quinta-feira (23/3) de que as negociações com Teerã estavam indo "muito bem" e que ele estava adiando os ataques militares à infraestrutura energética do Irã até pelo menos 6 de abril.
No passado, declarações como essa ajudaram a acalmar os mercados, mas o ceticismo dos investidores parece estar aumentando.
G7 pede fim de ataques a civis
Também nesta sexta-feira, o ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noël Barrot, afirmou que o G7 permanece "excepcionalmente comprometido" em minimizar o impacto da guerra no Irã.
O grupo pediu uma "cessação imediata dos ataques contra infraestrutura civil e civis" no Oriente Médio.
Após a reunião de ministros na França, Barrot acrescentou que "nada justifica" os ataques a civis, que precisam ser "claramente protegidos".
Ele também reforçou os esforços do G7 para garantir a "livre e segura circulação de navios" no Estreito de Ormuz.
Barrot afirmou que o Marco Rubio concordou em trabalhar em conjunto para encontrar uma solução para o impasse no Estreito de Ormuz.
Duas instalações nucleares atacadas no Irã
Duas instalações relacionadas a energia nuclear foram atacadas no Irã, mas não houve vazamento de material radioativo, segundo a imprensa estatal iraniana.
A Agência de Notícias da República Islâmica (IRNA, na sigla em ingês) informou em um comunicado no Telegram que o complexo de água pesada (utilizada em usinas nucleares) de Khondab, no noroeste do Irã, foi atacado por forças israelenses e americanas.
A IRNA citou um oficial da província de Markazi, afirmando que não houve vítimas.
Um segundo ataque atingiu a instalação de produção de concentrado radioativo em Ardakan, Yazd, e as autoridades relataram que não houve vazamento de material radioativo além do local, de acordo com a agência de notícias Fars News, afiliada à Guarda Revolucionária Islâmica.
Enquanto isso, diversos países do Golfo relatam que os ataques continuam em toda a região nesta sexta-feira.
O Ministério da Defesa da Arábia Saudita informou que seis mísseis balísticos foram lançados em direção à capital do país, Riad. Ele acrescentou que dois foram interceptados e quatro caíram no Golfo, em áreas desabitadas.
O Kuwait relatou ataques pela manhã ao seu principal porto comercial, Shuwaikh. A autoridade portuária do país disse que houve "danos materiais, mas nenhuma vítima humana".
O Ministério da Defesa dos Emirados Árabes Unidos informou que suas defesas aéreas interceptaram seis mísseis balísticos e nove drones lançados do Irã nesta sexta.
As forças de defesa do Bahrein disseram ter interceptado 362 drones e 154 mísseis desde o início do conflito, um aumento de 12 drones em relação a anúncio feito na quinta-feira.
A Guarda Revolucionária Islâmica do Irã alertou anteriormente às pessoas em todo o Oriente Médio para deixarem áreas onde as forças americanas estão alocadas, mas não especificou locais exatos.
ONU sobre ataque a escola no Irã: 'horror visceral'
O Conselho de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) realizou nesta sexta-feira um debate de emergência sobre o ataque a uma escola primária em Minab, no sul do Irã, no início da guerra. As autoridades iranianas afirmam que 168 pessoas foram mortas no ataque, a maioria crianças.
O chefe de direitos humanos da ONU, Volker Türk, pediu que uma investigação sobre o ataque à escola seja concluída "o mais rápido possível", acrescentando que o incidente provocou "horror visceral".
Em outra ocasião, ele também afirmou que os ataques conjuntos entre EUA e Israel têm "destruído cada vez mais a infraestrutura civil" à medida que a guerra avança, e classificou os ataques a instalações nucleares como "imprudentes além da compreensão".
Anteriormente, a agência nuclear da ONU pediu "máxima contenção" para evitar um incidente nuclear no Irã, após um suposto ataque perto da usina nuclear de Bushehr na terça-feira.
Em uma participação por videoconferência na ONU, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, classificou o conflito como uma "guerra ilegal imposta por dois regimes nucleares autoritários". Ele chamou o ataque à escola de "calculado e gradual", classificando-o como um "crime de guerra".
A mãe de duas crianças mortas no ataque disse à ONU que sua casa agora está silenciosa, "muito mais silenciosa do que qualquer casa deveria ser".
Os EUA não assumiram responsabilidade pelo ataque e afirmam que não têm civis como alvo — anteriormente, o país havia dito que estava investigando o incidente.
A imprensa americana noticiou que investigadores militares dos EUA acreditam que as forças americanas provavelmente foram responsáveis por atingir a escola involuntariamente — mas que ainda não chegaram a uma conclusão definitiva.