Estudantes protestam na Itália por educação e contra gastos com armas pelo 2º dia

Meloni pediu para oposição condenar episódios de violência em atos

17 out 2026 - 10h22
(atualizado às 10h50)
Resumo
Pelo segundo dia consecutivo, estudantes italianos foram às ruas em cidades como Cagliari, Bergamo e Bolonha para exigir mais investimentos na educação e denunciar os gastos com armas e o alto custo de vida. Os atos reuniram movimentos pacifistas e até agricultores, mas registraram episódios de vandalismo e confrontos. Diante das tensões, a primeira-ministra Giorgia Meloni declarou apoiar mobilizações legítimas, mas cobrou da oposição uma condenação firme à violência contra policiais.

Estudantes retornaram às ruas de diversas cidades italianas neste sábado (17) para exigir mais investimentos na educação pública e menos recursos destinados a armamentos e conflitos.

    As mobilizações, que dão continuidade aos protestos de sexta-feira (16), ocorreram em Cagliari, Corigliano Rossano, Bergamo e Bolonha, em um cenário marcado por reivindicações sociais, confrontos com forças de segurança e debates sobre os limites do direito de manifestação.

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    A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, pediu aos partidos de oposição que condenem explicitamente os episódios de violência registrados nas manifestações.

    Segundo ela, embora a mobilização estudantil seja legítima, ataques contra policiais e o uso de artefatos explosivos não podem ser tolerados.

    "Fico sempre satisfeita quando há mobilização", afirmou Meloni após o Conselho Europeu, em Bruxelas.

    No entanto, a premiê ressaltou que a violência é uma questão diferente e pediu que todas as forças políticas defendam manifestações pacíficas.

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    Em Cagliari, mais de 600 estudantes participaram do segundo dia consecutivo do chamado "No Meloni Day". A concentração ocorreu na Piazza Garibaldi, de onde os manifestantes seguiram em direção à sede do Conselho Regional, na Via Roma. Apesar de a adesão ter ficado abaixo das expectativas dos organizadores, o público foi semelhante ao registrado no dia anterior.

    Ao protesto juntaram-se universitários que haviam montado barracas em frente à Faculdade de Humanidades para denunciar o alto custo de vida e a escalada dos aluguéis. Com cartazes, faixas, apitos e música, os jovens ocuparam as ruas do centro da cidade.

    Uma faixa à frente da marcha trazia a mensagem "Dinheiro para as escolas, não para a guerra".

    Bandeiras de movimentos independentistas, grupos pacifistas e associações universitárias também marcaram presença. Em outro momento da manifestação, fotografias de Meloni e dos políticos Elly Schlein, Giuseppe Valditara, Carlo Nordio e Antonio Tajani, além do logotipo da empresa de defesa Leonardo, foram colocadas no chão e cobertas por impressões de mãos com tinta vermelha.

    Segundo os organizadores, a ação simboliza o sangue.

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    Sinalizadores de fumaça vermelha também foram acionados durante o percurso.

    Os estudantes reivindicam escolas seguras e acolhedoras, melhores condições estruturais nas universidades e um sistema de ensino acessível e eficiente. Também criticam a falta de financiamento para a pesquisa e a formação acadêmica.

    "Estamos aqui por causa das condições estruturais da nossa universidade, bem como da falta de financiamento para a pesquisa, os programas de doutorado e o corpo docente", afirmou Francesco Ledda, estudante de História da Universidade de Cagliari.

    Ele também defendeu uma maior atenção à identidade e às necessidades da Sardenha. Para o estudante, as instituições devem apoiar a população local e garantir que as escolas e universidades contribuam para que os jovens compreendam a história, a identidade e o potencial da região.

    Em Corigliano Rossano, na Calábria, estudantes, moradores e agricultores participaram de uma marcha pacífica pelas principais ruas da área urbana de Corigliano. Os agricultores, que protestam há vários dias contra o aumento dos preços dos combustíveis, mantiveram um ponto de mobilização na rodovia estadual, nas proximidades da rotatória de Santa Lucia.

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    No centro da cidade, estudantes que não tiveram aulas neste sábado e moradores locais acompanharam a manifestação, liderada por uma fila de tratores. A participação conjunta reforçou as críticas ao aumento do custo de vida e a cobrança por respostas concretas do governo.

    Em meio às mobilizações, Antonio Emanuel Rizzo, porta-voz da Coordenação Regional dos Conselhos Estudantis da Calábria, condenou os confrontos registrados na sexta-feira diante do Ministério da Educação, em Roma.

    Em comunicado, Rizzo afirmou que os episódios são inaceitáveis e defendeu que as reivindicações estudantis sejam apresentadas por meio do diálogo com as instituições. Segundo ele, os representantes dos estudantes dedicam tempo e esforço à negociação para propor soluções concretas para os problemas das escolas.

    Em Bergamo, uma manifestação que reuniu estudantes do ensino médio de diferentes localidades da província terminou com episódios de vandalismo. Parte dos jovens se afastou do trajeto previsto e seguiu em direção ao terminal rodoviário, onde lixeiras e recipientes de resíduos foram virados.

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    A passeata havia começado na Piazzale Marconi e seguido em direção a Porta Nuova. Durante o percurso, centenas de participantes entoaram palavras de ordem contra a guerra e em defesa da paz e da liberdade na Palestina, além de cantar a canção antifascista "Bella Ciao".

    A tensão aumentou em Largo Porta Nuova, onde um pequeno grupo destruiu lixeiras, arrancou postes e placas de sinalização e quebrou garrafas de vidro. Cerca de dez pessoas foram levadas à delegacia para prestar esclarecimentos.

    Já em Bolonha, grupos de estudantes ? que não foram às aulas ? bloquearam as entradas de várias escolas de ensino médio. As marchas paralisaram o trânsito, e jovens ocuparam a Piazza Aldrovandi, no centro histórico da cidade, utilizando barreiras existentes para impedir a entrada de carros. .

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