Trump e a OTAN negociam um 'pré-acordo' que concede partes da Groenlândia aos EUA, sob controle estratégico, envolvendo interesses minerais e defesa, enquanto tarifações planejadas são suspensas.
O 'pré-acordo' entre Estados Unidos e a OTAN prevê, entre outras medidas, a concessão de pequenas porções de terra da Groenlândia para o controle do governo de Donald Trump, revelaram fontes ligadas à Casa Branca ao The New York Times, nesta quarta-feira, 21.
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Mais cedo nesta quarta, Trump confirmou o desenrolar de uma negociação, envolvendo EUA e o bloco econômico, sobre a ocupação da ilha, que compõe o território da Dinamarca. O republicano, no entanto, não divulgou detalhes sobre o possível acordo: "É um pouco complexo, mas vamos explicá-lo mais adiante".
Por outro lado, autoridades revelaram que uma parte do acordo prevê a concessão de pequenas áreas da Groenlândia aos EUA. A medida teria sido discutida na reunião entre Trump e Mark Rutte, secretário-geral da OTAN.
Na prática, os EUA exerceriam o controle direto sobre áreas específicas da Groenlândia, sem que haja a necessidade de uma transferência integral da soberania do território. O modelo é comparado ao controle do Reino Unido em regiões do Chipre, onde mantém bases militares.
O presidente indicou que o acordo envolve interesses estratégicos dos Estados Unidos, incluindo direitos minerais e a participação da Groenlândia no sistema de defesa antimísseis defendido por seu governo, o chamado 'Domo de Ouro'.
Trump também confirmou que, diante do avanço das negociações, as tarifas com implementação prevista para o dia 1º de fevereiro não entrarão mais em vigor.
Em uma nota divulgada nas redes sociais, o presidente reforçou que a conversa com Rutte foi "muito produtiva" e ampliou o alcance da negociação para toda a Região Ártica. Segundo ele, o acordo beneficiaria tanto os Estados Unidos quanto os países da Otan.
Trump também afirmou que novas discussões sobre o 'Domo de Ouro' estão em andamento e que as negociações ficarão sob responsabilidade do vice-presidente JD Vance, do secretário de Estado Marco Rubio e do enviado especial Steve Witkoff, entre outros assessores.
O anúncio representa uma reviravolta em meio à polêmica gerada pelas repetidas manifestações de Trump sobre a intenção de incorporar a Groenlândia aos Estados Unidos. Nas últimas semanas, o governo chegou a fazer alusão a uma investida militar, apesar de ser à custa de uma aliada, a Dinamarca.
Anteriormente, autoridades dinamarquesas e groenlandesas rejeitaram publicamente qualquer negociação, reiterando que a ilha não está à venda. Além disso, países europeus da Otan reforçaram sua presença militar na região.