Escolas cristãs de Jerusalém fazem greve contra restrições de Israel a professores

Mais de 170 docentes da Cisjordânia foram afetados; 10 mil alunos seguem sem aulas

14 jan 2026 - 15h12
(atualizado às 15h54)

Cerca de 10 mil alunos de escolas cristãs em Jerusalém não puderam retornar às aulas após o fim das férias devido às restrições de Israel para a entrada de professores da Cisjordânia. Em protesto, diretores de 12 instituições de ensino privadas da cidade convocaram uma greve contra a decisão das autoridades israelenses que afeta mais de 170 professores.

Cerca de 10 mil estudantes estão sem aulas em Jerusalém por restrição a professores da Cisjordânia
Cerca de 10 mil estudantes estão sem aulas em Jerusalém por restrição a professores da Cisjordânia
Foto: ANSA / Ansa - Brasil

"Esta é a primeira vez que isso acontece, limitando o direito à educação de milhares de estudantes e a capacidade de trabalhar de centenas de docentes e funcionários escolares", declarou à ANSA o diretor das Escolas da Terra Santa, padre Ibrahim Faltas, revelando que o retorno às aulas estava previsto para 10 de janeiro.

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O veto atinge principalmente profissionais "com qualificações educacionais palestinas" e "sem documentos de identidade de Jerusalém", sendo que alguns dos afetados têm permissão para entrar em Jerusalém apenas algumas vezes por semana, enquanto outros seguem completamente barrados.

Faltas explicou que "a suspensão das aulas foi necessária para salvaguardar o bom funcionamento das escolas e garantir que muitas famílias possam visitar diariamente as instituições em segurança, tanto para os programas escolares como para outras atividades desportivas, culturais e recreativas".

Estudantes muçulmanos também frequentam as escolas cristãs de Jerusalém por sua "alta qualidade na formação" dos alunos.

Já o frei Daoud Kassabry, diretor do Colégio dos Irmãos das Escolas Cristãs, denunciou em um artigo publicado no TerraSanta.net e no jornal La Croix, as intenções israelenses com a medida.

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Israel "alega que o currículo palestino contém incitação ao ódio e nega seu direito de existir. Como resultado, as escolas particulares estão sob crescente pressão para adotar o currículo israelense como condição para obterem subsídios, enquanto seus orçamentos estão severamente afetados pela guerra", escreveu Kassabry.

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