Durante visita à sede do Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas, em Roma, o pontífice pediu à comunidade internacional que "aumente os recursos destinados à luta contra a fome e suas causas profundas, removendo os obstáculos que impedem que a ajuda chegue a quem precisa".
O papa lamentou que as preocupações humanitárias frequentemente permaneçam em segundo plano, apesar das declarações de princípio. "É justamente na distância entre o reconhecimento de princípio e a implementação concreta que constatamos a burocratização progressiva da solidariedade, paralelamente à mercantilização silenciosa da vida humana", declarou o papa.
"Por um lado, a ação humanitária é cada vez mais sobrecarregada por procedimentos burocráticos que podem atrasar a ajuda. Por outro, o acesso a bens essenciais, especialmente à alimentação, é muitas vezes influenciado por considerações econômicas ou estratégicas", disse.
'Prioridades políticas e morais'
Segundo ele, o resultado é que "aqueles que não produzem valor quantificável correm o risco de se tornar invisíveis", acrescentou.
O papa, de 70 anos, denunciou o contraste entre os entraves à ajuda internacional e a facilidade de acesso a armamentos. "Na realidade, é mais fácil alimentar os conflitos do que alimentar as populações", lamentou, afirmando que isso revela "um desequilíbrio fundamental nas prioridades políticas e morais".
O pontífice pediu que governos e sociedades aumentem os recursos destinados à luta contra a fome, citando o trabalho do PAM, que assistiu 121 milhões de pessoas em 2025. A organização, no entanto, enfrenta cortes orçamentários significativos na Europa e nos Estados Unidos, enquanto as necessidades aumentam, especialmente devido à guerra no Oriente Médio, que complica a logística e eleva os custos da ajuda humanitária.
Com agências