'É mais fácil alimentar conflitos do que populações': papa denuncia 'burocratização da solidariedade'

O papa Leão 14 criticou nesta segunda-feira (22) a "burocratização progressiva da solidariedade", que dificulta o envio de ajuda humanitária às populações famintas no mundo, e condenou a livre circulação de armas que alimentam os conflitos.

22 jun 2026 - 12h41

Durante visita à sede do Programa Alimentar Mundial (PAM) das Nações Unidas, em Roma, o pontífice pediu à comunidade internacional que "aumente os recursos destinados à luta contra a fome e suas causas profundas, removendo os obstáculos que impedem que a ajuda chegue a quem precisa".

O papa lamentou que as preocupações humanitárias frequentemente permaneçam em segundo plano, apesar das declarações de princípio. "É justamente na distância entre o reconhecimento de princípio e a implementação concreta que constatamos a burocratização progressiva da solidariedade, paralelamente à mercantilização silenciosa da vida humana", declarou o papa.

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"Por um lado, a ação humanitária é cada vez mais sobrecarregada por procedimentos burocráticos que podem atrasar a ajuda. Por outro, o acesso a bens essenciais, especialmente à alimentação, é muitas vezes influenciado por considerações econômicas ou estratégicas", disse.

O papa Leão XIV discursa em reunião do Programa Alimentar Mundial da ONU, em Roma, em 22 de junho de 2026.
O papa Leão XIV discursa em reunião do Programa Alimentar Mundial da ONU, em Roma, em 22 de junho de 2026.
Foto: RFI

'Prioridades políticas e morais'

Segundo ele, o resultado é que "aqueles que não produzem valor quantificável correm o risco de se tornar invisíveis", acrescentou.

O papa, de 70 anos, denunciou o contraste entre os entraves à ajuda internacional e a facilidade de acesso a armamentos. "Na realidade, é mais fácil alimentar os conflitos do que alimentar as populações", lamentou, afirmando que isso revela "um desequilíbrio fundamental nas prioridades políticas e morais".

O pontífice pediu que governos e sociedades aumentem os recursos destinados à luta contra a fome, citando o trabalho do PAM, que assistiu 121 milhões de pessoas em 2025. A organização, no entanto, enfrenta cortes orçamentários significativos na Europa e nos Estados Unidos, enquanto as necessidades aumentam, especialmente devido à guerra no Oriente Médio, que complica a logística e eleva os custos da ajuda humanitária.

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Com agências

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