Dieta mediterrânea perde espaço e obesidade infantil avança na Itália, diz análise

Segundo BBC, crianças italianas estão acima do peso por causa de 'pizza, massa e pão'

27 jul 2026 - 09h54
(atualizado às 10h11)

Uma análise da BBC revelou que a tradicional dieta mediterrânea deixou de refletir os hábitos alimentares da maioria dos italianos, em meio ao avanço do excesso de peso entre crianças e adolescentes no país, levantando um alerta sobre a mudança no padrão de alimentação da população.

Segundo a publicação, baseada em uma série de entrevistas, esse cenário contrasta com a imagem histórica da Itália como referência mundial em alimentação saudável. Atualmente, apenas cerca de 10% da população italiana ainda segue a dieta mediterrânea tradicional.

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A informação foi apresentada por Valter Longo, diretor do Instituto da Longevidade da Universidade do Sul da Califórnia, que afirma que o padrão alimentar original foi substituído por uma dieta baseada nos chamados "cinco Ps": pizza, massa, batata, proteína e pão.

De acordo com a pesquisa, o problema é mais grave no sul da Itália. Na região da Campânia, mais de 40% das crianças entre oito e nove anos estão acima do peso. O bairro de Ponticelli, na periferia de Nápoles, tornou-se um dos locais com maiores índices de obesidade infantil do mundo.

"Este é um fato alarmante em um país há muito [tempo] considerado o berço da dieta mediterrânea. No entanto, hoje, as crianças italianas estão entre as que apresentam as maiores taxas de sobrepeso na Europa", afirma o estudo, citando dados da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Como exemplo dessa realidade, a BBC apresenta o caso de Salvatore, um adolescente de 17 anos que pesa 170 quilos e enfrenta dificuldades para caminhar e amarrar os próprios cadarços. Além disso, sua scooter Vespa tem dificuldade para suportar seu peso ? em uma semana, os pneus estouraram sete vezes.

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Durante décadas, a Itália foi considerada um modelo global de alimentação saudável graças à dieta mediterrânea, baseada no consumo de vegetais, leguminosas, azeite de oliva, grãos integrais e peixes.

Esse padrão alimentar ganhou reconhecimento mundial após os estudos realizados, na década de 1950, pelo fisiologista norte-americano Ancel Keys e pela bioquímica Margaret Keys, que associaram os hábitos alimentares de comunidades do sul da Itália à baixa incidência de doenças cardiovasculares.

No entanto, segundo a BBC, a realidade atual é bastante diferente daquela que inspirou essas pesquisas. A mudança nos hábitos alimentares, aliada ao aumento do consumo de alimentos mais calóricos e menos nutritivos, tem contribuído para o crescimento da obesidade infantil no país.  

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