Dois trens de alta velocidade descarrilaram em Adamuz, perto de Córdoba, na Espanha, na noite do último domingo (18), provocando ao menos 39 mortos e 100 feridos.
Segundo os serviços de emergência, os corpos já foram recuperados dos destroços dos vagões. A colisão foi registrada às 19h39 (horário local) e levou à suspensão do serviço ferroviário entre Madri e Andaluzia.
O acidente envolveu um trem de alta velocidade da empresa Iryo, que fazia o trajeto Málaga-Madri, com 317 passageiros a bordo, e um trem de longa distância Alvia, da Renfe, que seguia no sentido oposto, de Madri para Huelva, transportando mais de 200 pessoas. Dezenas de passageiros ficaram feridos, alguns em estado grave.
De acordo com fontes da Iryo, somente nesse trem foram confirmadas ao menos 21 mortes e 22 feridos. A empresa disponibilizou um telefone de apoio às famílias dos passageiros (900 001 402). A Renfe também ativou um número gratuito para informações sobre os ocupantes do trem Alvia (900 101 020).
Entre as vítimas está o maquinista de um dos trens, que fazia o percurso de Madri a Huelva, segundo informou a emissora estatal Televisión Española.
O conselheiro regional de Saúde da Andaluzia, Antonio Sanz, descreveu uma situação "muito grave". "Pelo menos dois ou três vagões caíram em um barranco de cerca de cinco metros, de difícil acesso. Os bombeiros conseguiram alcançar o terceiro vagão, mas o número total de vítimas ainda é indeterminado", afirmou ele.
Equipes de resgate trabalharam durante toda a madrugada em meio a cenas de destruição, com passageiros presos entre ferragens, bagagens e assentos retorcidos. O tráfego ferroviário entre Madri e a Andaluzia foi imediatamente suspenso, causando transtornos a milhares de viajantes.
As autoridades investigam as causas do descarrilamento. Uma das principais hipóteses levantadas por técnicos espanhóis é a ruptura de uma junta de via, que teria criado uma fenda entre dois trechos da linha. Segundo essa teoria, os primeiros vagões conseguiram passar enquanto a abertura se alargava gradualmente, até que, ao chegar ao oitavo vagão, ocorreu o descarrilamento, arrastando outros vagões na sequência.
O ministro dos Transportes espanhol, Óscar Puente, classificou o episódio como "um acidente inexplicável em uma linha nova".
Ele explicou que os dois primeiros vagões do trem Alvia, com 63 passageiros, "caíram no barranco" e sofreram o impacto mais violento. "O estado da ferrovia era bom. Estamos falando de materiais novos", acrescentou, observando que "700 milhões de euros foram investidos na linha Andaluzia-Madri, e a obra de substituição dos equipamentos de infraestrutura foi concluída em maio.
Puente destacou ainda que será criada uma comissão de inquérito "totalmente independente": "Não só os equipamentos precisam ser retirados, como também há uma investigação em andamento sobre o desastre que exige uma apuração completa".
Além disso, o ministro informou que a linha de alta velocidade permanecerá interrompida pelo menos até amanhã e, possivelmente, por cerca de um mês, devido à retirada dos destroços e às investigações em curso.
O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, manifestou pesar nas redes sociais. "Hoje é uma noite de profunda tristeza para o nosso país devido ao trágico acidente ferroviário em Adamuz", escreveu, expressando condolências às famílias das vítimas e assegurando que todos os serviços de emergência estão mobilizados.
"Nenhuma palavra pode aliviar um sofrimento tão grande, mas quero que saibam que todo o país está com eles nestes momentos difíceis", acrescentou Sánchez, que suspendeu a agenda oficial desta segunda-feira.
O líder da oposição, Alberto Núñez Feijóo, também pediu o adiamento de compromissos políticos e afirmou que "nada é mais urgente agora do que prestar assistência às vítimas e seus familiares". Os monarcas espanhóis Felipe VI e Letizia divulgaram nota expressando "profunda consternação" e desejando pronta recuperação aos feridos.
Testemunhos de sobreviventes e familiares descrevem momentos de pânico e abandono nas primeiras horas após o acidente. A mãe de uma jovem que viajava no vagão 4 do trem Alvia relatou à TVE que a filha conseguiu ligar chorando poucos minutos após o impacto.
"Ela me contou que conseguiram sair do vagão, mas que muitos estavam mortos. Os passageiros estavam sozinhos, no escuro, e nem os serviços de emergência nem a polícia haviam chegado ainda", disse.
Passageiros falaram em cenas de caos, gritos e tentativas desesperadas de sair dos vagões. O jornalista Salvador Jiménez, da Rádio Nacional da Espanha, que estava no trem Iryo, comparou o impacto a "um terremoto" e relatou que os próprios passageiros quebraram janelas para evacuar.
O Ministério das Relações Exteriores da Itália informou que, até o momento, não há registro de cidadãos italianos entre as vítimas, embora a identificação ainda esteja em andamento. O cônsul-geral italiano em Madri acompanha a situação no local.
As autoridades alertam que o número de mortos pode aumentar nas próximas horas, à medida que os trabalhos de resgate e identificação dos corpos avancem. A tragédia já é considerada um dos acidentes ferroviários mais graves da Espanha nos últimos anos.
A primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, manifestou solidariedade à Espanha após o grave acidente ferroviário.
"É com grande tristeza que tomei conhecimento do acidente ferroviário ocorrido na Andaluzia, onde dois trens de alta velocidade descarrilaram", escreveu Meloni.
Segundo ela, "a Itália compartilha a dor da Espanha por esta tragédia" e todos os "pensamentos estão com as vítimas, os feridos e suas famílias."