Irã rejeita redução da escalada enquanto Israel mata chefe de segurança iraniano

17 mar 2026 - 20h39

O ‌chefe de segurança do Irã, Ali Larijani, foi morto por Israel, confirmou Teerã nesta terça-feira, a figura mais importante atingida desde o primeiro dia da guerra iniciada pelos EUA e Israel, enquanto uma autoridade iraniana sênior disse que o novo líder supremo do país rejeitou as ofertas de desescalada transmitidas por países intermediários.

Larijani era amplamente visto como uma das figuras mais poderosas do Irã e um confidente do líder supremo morto, ⁠o aiatolá Ali Khamenei, e de seu filho e sucessor, Mojtaba. O chefe de segurança tinha uma reputação ‌de relações pragmáticas com outras facções do sistema governamental e diplomatas estrangeiros.

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Sua morte foi confirmada pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, que Larijani liderava como secretário. O filho de Larijani e seu sub, ‌Alireza Bayat, também foram mortos no ataque israelense na noite de ‌segunda-feira, informou o conselho.

Os assassinatos direcionados ocorreram na terceira semana da guerra entre os EUA e ⁠Israel contra o Irã, que rapidamente se tornou um conflito regional que não mostra sinais de desescalada.

O presidente dos EUA, Donald Trump, criticou repetidamente os países aliados nos últimos dias por sua resposta fria às suas solicitações de ajuda militar para restaurar a passagem de navios petroleiros pelo Estreito de Ormuz.

Mojtaba Khamenei, o novo líder supremo do Irã, rejeitou as propostas transmitidas ao Ministério das Relações Exteriores do Irã para "reduzir as tensões ‌ou cessar-fogo com os Estados Unidos", de acordo com uma autoridade iraniana sênior que pediu para não ser ‌identificada. Khamenei, presente em sua primeira ⁠reunião de política externa desde ⁠sua nomeação, disse que não era "o momento certo para a paz até que os Estados Unidos e Israel se ajoelhem, ⁠aceitem a derrota e paguem uma indenização", segundo a autoridade.

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A ‌autoridade não esclareceu se o Khamenei ‌mais jovem, que ainda não apareceu em fotos ou na TV desde que foi nomeado na semana passada para substituir seu pai morto, participou da reunião pessoalmente ou remotamente.

O Estreito de Ormuz, uma passagem para um quinto do comércio global de petróleo, permanece praticamente fechado, pois o Irã ameaça ⁠atacar navios-tanque ligados aos EUA e a Israel. Os preços do petróleo dispararam.

Os EUA têm apresentado justificativas conflitantes para se unir a Israel para atacar o Irã e têm tido dificuldades para explicar a base legal para iniciar uma nova guerra, o que foi ressaltado pela renúncia nesta terça-feira do chefe do Centro Nacional de Contraterrorismo dos EUA, Joseph Kent. Kent escreveu em ‌sua carta de demissão a Trump que o Irã "não representava uma ameaça iminente à nossa nação".

A maioria dos aliados dos EUA na Organização do Tratado do Atlântico Norte disse a Trump que não quer ⁠se envolver no conflito, disse ele nesta terça-feira, descrevendo a posição deles como "um erro muito tolo".

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"Devido ao fato de termos tido tanto sucesso militar, não 'precisamos' ou desejamos mais a ajuda dos países da Otan - NUNCA PRECISAMOS!" Trump escreveu nas mídias sociais, destacando também o Japão, a Austrália e a Coreia do Sul.

A chefe de política externa da União Europeia, Kaja Kallas, disse em uma entrevista que ninguém estava disposto a arriscar a vida de seu povo para proteger o estreito.

"Temos que encontrar formas diplomáticas de manter o estreito aberto para que não tenhamos uma crise de alimentos, de fertilizantes e também de energia", disse Kallas.

Os preços do petróleo subiram cerca de 3% nesta terça-feira, quando o Irã renovou seus ataques às instalações de petróleo nos Emirados Árabes Unidos, e subiram cerca de 45% desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, levantando preocupações de um novo aumento na inflação global.

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O Programa Mundial de Alimentos disse que dezenas de milhões de pessoas enfrentarão fome aguda se a guerra continuar até junho.

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