A equipe de negociação do Irã chegou a Islamabad nesta sexta-feira para conversações de paz com os Estados Unidos, mesmo com Teerã insistindo em medidas que, segundo afirmou, precisavam ser abordadas primeiro, lançando dúvidas de última hora sobre as reuniões.
O presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou um cessar-fogo de duas semanas na guerra de seis semanas na terça-feira, apenas algumas horas antes do prazo final, após o qual Trump ameaçava destruir a civilização do Irã.
O cessar-fogo interrompeu os ataques aéreos dos EUA e de Israel contra o Irã. Mas não pôs fim ao bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã, que causou a maior interrupção de todos os tempos no fornecimento global de energia, nem acalmou uma guerra paralela entre Israel e o Hezbollah, apoiado pelo Irã, no Líbano.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, disse no X que Washington já havia concordado em desbloquear os ativos iranianos e com um cessar-fogo no Líbano, e acrescentou que as conversações não seriam iniciadas até que essas promessas fossem cumpridas.
A delegação iraniana, liderada por Qalibaf e pelo ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, chegou a Islamabad, informou o Ministério das Relações Exteriores do país. A agência de notícias semi-oficial do Irã Tasnim informou que o grupo é composto por cerca de 70 membros, incluindo especialistas técnicos nas áreas econômica, de segurança e política, bem como pessoal da mídia e equipe de apoio, refletindo o que descreveu como a alta sensibilidade das negociações.
Falando de Islamabad, Qalibaf disse que Teerã tinha boa vontade em relação às negociações, mas não confiava nos Estados Unidos, acrescentando que o Irã estava pronto para chegar a um acordo se Washington oferecesse o que ele descreveu como um acordo genuíno e concedesse ao Irã seus direitos, informou a mídia estatal iraniana.
Embora não tenha havido nenhum comentário imediato da Casa Branca sobre as exigências iranianas, Trump disse em uma postagem na mídia social que a única razão pela qual os iranianos estavam vivos era para negociar um acordo.
"Os iranianos parecem não perceber que não têm cartas, a não ser uma extorsão de curto prazo do mundo usando as hidrovias internacionais. A única razão pela qual eles estão vivos hoje é para negociar!", disse ele.
O vice-presidente dos EUA, JD Vance, que liderará a delegação norte-americana, disse que esperava um resultado positivo ao se dirigir ao Paquistão, mas acrescentou: "Se eles tentarem nos enganar, descobrirão que a equipe de negociação não é tão receptiva."
O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, em um discurso nacional na noite desta sexta-feira, expôs os riscos das negociações.
"O cessar-fogo permanente é a próxima fase difícil, que consiste em resolver as questões complicadas por meio de negociações. Essa, como se diz em inglês, é uma fase decisiva", disse Sharif.