De conservadores a reformistas, os candidatos à sucessão de Khamenei no Irã

Novo guia supremo pode ser anunciado nos próximos dias

1 mar 2026 - 16h49

Por Alberto Zanconato - A morte do aiatolá Ali Khamenei, líder supremo do Irã por quase quatro décadas, coloca a República Islâmica diante de uma encruzilhada.

    A escolha de seu sucessor ? que pode ocorrer nos próximos dias ? não apenas definirá os rumos internos do regime, mas também sinalizará qual estratégia Teerã pretende adotar em suas relações com o Ocidente e com os vizinhos regionais.

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    Em jogo, está o perfil do novo líder: um ultraconservador linha-dura, um pragmático capaz de retomar o diálogo ou mesmo um reformista que poderia aliviar a pressão interna e externa sobre o país.

    Por ora, o processo de transição segue o rito previsto na Constituição. Ali Larijani, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional e figura proeminente do conservadorismo tradicional, anunciou a formação de um conselho provisório composto por três membros, que conduzirá os trabalhos até a eleição do novo guia.

    O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, adiantou que a escolha pode ocorrer em "um ou dois dias", por meio de votação dos 88 integrantes da Assembleia dos Peritos. Integram o conselho interino o presidente da República, Masoud Pezeshkian; o chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni-Ejei; e um representante do Conselho dos Guardiães, na pessoa do aiatolá Alireza Arafi.

    Entre os nomes cotados para assumir o posto máximo do regime, destaca-se justamente Mohseni-Ejei, de 69 anos.

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    Ultraconservador, com passagem pelo Ministério da Inteligência entre 2005 e 2009, Ejei é visto por observadores como um "falcão" capaz de dar continuidade à linha dura de Khamenei, fortalecido por sua trajetória à frente do aparato judiciário da República Islâmica.

    Outro nome mencionado é o de Alireza Arafi, 67, integrante do círculo próximo ao finado líder supremo. Apesar de bem relacionado, Arafi não possui as mesmas conexões com os aparatos de segurança ? em particular com a Guarda Revolucionária ?, consideradas essenciais para sustentar a autoridade do novo guia.

    Justamente por suas ligações com as forças de segurança, Mojtaba Khamenei, filho de 56 anos do aiatolá falecido, é apontado por setores da oposição como um provável sucessor. A hipótese, no entanto, enfrenta resistências.

    Mojtaba é uma figura controversa, alvo de investigações e reportagens que apontam para suposto enriquecimento e propriedades no Ocidente, em contraste com a vida notadamente austera de seu pai. Além disso, a ascensão de um herdeiro direto poderia desagradar setores mais tradicionalistas do clero xiita.

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    Se a opção for por uma reaproximação com o Ocidente e a retomada do acordo nuclear de 2015, o nome natural seria o de Hassan Rouhani. Aos 77 anos, o ex-presidente (2013-2021) é lembrado como o artífice do diálogo que levou à suspensão parcial de sanções e a um breve degelo nas relações com Estados Unidos e potências europeias.

    Conservador moderado, Rouhani atuou como negociador-chefe do programa nuclear já nos anos 2000 e conserva trânsito entre alas que defendem uma inserção internacional menos conflitiva.

    Um aceno às demandas por abertura política e redução da repressão interna passaria pela escolha de Hassan Khomeini, 53.

    Neto do aiatolá Ruhollah Khomeini, fundador da República Islâmica, Hassan é a principal figura entre os descendentes do líder da revolução de 1979 e reformista convicto. Sua eventual ascensão representaria uma ruptura simbólica profunda, mas sua falta de vínculos sólidos com os círculos de poder atuais joga contra sua candidatura.

    Já Ali Larijani, 67, esteve nos corredores do poder durante todo o período Khamenei, mas por não pertencer ao clero, está impossibilitado de assumir a liderança suprema. No entanto seu irmão, o aiatolá Sadeq Larijani, 63, reúne as credenciais religiosas e políticas. Conservador intransigente, chefiou o Judiciário entre 2009 e 2019 e notabilizou-se pelos ataques à ala reformista. .

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