Crise em Ceuta alimenta extrema-direita da UE, apesar da queda na chegada de imigrantes, diz comissário

18 set 2026 - 12h58
(atualizado às 14h52)
Resumo
Imagens de migrantes em Ceuta impulsionam a extrema-direita europeia, ofuscando a queda geral na imigração irregular fruto de políticas mais rígidas, alertou o comissário da UE, Magnus Brunner. Para combater essa percepção e demonstrar controle, ele defende repatriações rápidas, a aplicação de regras acordadas e negociações com o Talibã para deportar criminosos afegãos, priorizando a segurança dos cidadãos europeus frente às críticas de organizações de direitos humanos.

Imagens de imigrantes cruzando ‌a fronteira para o enclave espanhol de Ceuta, no Norte da África, têm alimentado o apoio a partidos de extrema-direita, apesar de uma queda acentuada nas chegadas irregulares à Europa em decorrência de políticas de imigração mais rígidas, afirmou nesta sexta-feira o comissário da UE para ⁠a Imigração, Magnus Brunner.

Mais de 72 mil pessoas entraram no enclave ‌vindas de Marrocos no final de julho, embora a maioria tenha partido posteriormente. A Espanha estima que 12 mil migrantes permaneçam no ‌pequeno território, incluindo menores de idade.

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"Temos os ‌números em queda, mas as imagens de Ceuta, é claro, ofuscam ⁠os sucessos reais e os fatos e números concretos", disse Brunner à Reuters em uma entrevista.

Ele disse que essas imagens "alimentam a extrema-direita", e é por isso que "é tão importante repatriar essas pessoas o mais rápido possível para mostrar que temos o controle".

Questionado sobre a proposta ‌apresentada na quarta-feira pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ‌de um quadro de ⁠emergência para impedir ⁠movimentos em massa de imigrantes "orquestrados e instrumentalizados", Brunner disse que os detalhes serão discutidos ⁠na próxima reunião do Conselho ‌da UE com os Estados-membros. ‌Mas "antes de tudo, temos que implementar o sistema que já acordamos", acrescentou.

O sentimento anti-imigração tem permanecido uma força política potente em toda a Europa desde que mais de 1 milhão de pessoas, ⁠muitas delas sírias fugindo da guerra, chegaram ao bloco em 2015. Esse aumento ajudou a impulsionar o apoio a partidos nacionalistas e de extrema-direita e levou muitos governos a adotar políticas de imigração mais rígidas, focadas na dissuasão e ‌nos retornos.

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Brunner também defendeu a decisão da Comissão Europeia de facilitar as negociações entre os Estados-membros da UE e autoridades do Taliban, ⁠à medida que os governos buscam maneiras de repatriar afegãos condenados por crimes na Europa. Grupos de direitos humanos criticaram a medida, alegando que ela conferia legitimidade aos governantes islâmicos do Afeganistão, colocava os afegãos em risco e minava os valores fundamentais da UE.

"Eles são assassinos; são criminosos. E acho que é do interesse da União Europeia e do povo europeu, é claro, repatriá-los", disse Brunner quando questionado sobre como o bloco poderia garantir que os deportados enviados ao Afeganistão não enfrentassem perseguição ou danos.

"Acho que, antes de tudo, trata-se da segurança europeia e da segurança dos cidadãos europeus."

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