Compradores de petróleo avaliam estoques e alternativas devido a conflito no Irã

1 mar 2026 - 09h35

Os governos e refinarias ‌asiáticos correram para avaliar os estoques de petróleo, bem como rotas alternativas de transporte e suprimentos, já que o conflito no Irã interrompeu o transporte no crucial Estreito de Ormuz, com expectativa de aumento dos preços do petróleo quando as negociações forem retomadas na segunda-feira.

A Ásia sentirá o maior impacto de qualquer interrupção no fornecimento de petróleo do Oriente Médio, sendo que metade ⁠do fornecimento da China, maior importador global, e 90% do Japão provêm da região.

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O Estreito de ‌Ormuz é a estreita via navegável entre o Irã e Omã que liga o Golfo ao Mar Arábico e, em um dia normal, petroleiros que transportam o equivalente a 20% do ‌consumo global de petróleo passam por ele com cargas ‌de produtores como Arábia Saudita, Iraque, Irã, Emirados Árabes Unidos, Kuweit e Catar.

Empresas de ⁠navegação japonesas afirmaram que estão suspendendo as operações ao redor do Estreito de Ormuz, embora o secretário-chefe do Gabinete, Minoru Kihara, tenha dito que Tóquio não recebeu nenhum relatório de impacto imediato no abastecimento do Japão.

No entanto, refinarias estatais indianas já começaram a procurar fontes alternativas de abastecimento, disseram dois funcionários do setor de refino, que preferiram não se identificar. A Índia, segundo maior ‌importador mundial de petróleo, vem aumentando as importações do Oriente Médio para substituir o petróleo russo.

"Nossa ‌equipe já está em contato ⁠com outros fornecedores", disse um ⁠dos funcionários, acrescentando que as refinarias estatais indianas têm reservas para 20 dias de petróleo bruto e ⁠gás liquefeito de petróleo, o que é suficiente se ‌a situação se acalmar nos ‌próximos dias.

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June Goh, analista sênior da Sparta Commodities, disse que os preços do petróleo provavelmente serão negociados em alta, com o impacto atenuado por um aumento esperado na produção do grupo de produtores da Opep+.

Ela observou que a infraestrutura petrolífera ainda não foi afetada.

"O ⁠setor está atualmente enfrentando uma desaceleração nas atividades de transporte marítimo pelo Estreito de Ormuz devido à segurabilidade, e não a um bloqueio total", disse ela.

Vários proprietários de petroleiros, grandes empresas petrolíferas e trading companies suspenderam os embarques de petróleo, combustível e gás natural liquefeito através do estreito.

COREIA DO SUL, TAIWAN

O governo sul-coreano oferecerá petróleo ‌de seus estoques às indústrias locais se qualquer interrupção no fornecimento se prolongar, disse o Ministério da Indústria em um comunicado no domingo, após uma reunião de emergência.

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Um funcionário de ⁠uma refinaria local disse que os estoques de petróleo da Coreia do Sul mantidos em conjunto com a estatal Korean National Oil Corp podem durar sete meses.

"Estamos verificando se algum navio ainda tem permissão para navegar pelo estreito", acrescentou.

"Mas se o Estreito de Ormuz for fechado... buscaremos suprimentos pontuais na Ásia. Precisamos ver quais países liberam esses suprimentos pontuais", disse ele.

As refinarias sul-coreanas HD Hyundai Oilbank e GS Caltex disseram que estão monitorando a situação. A Hyundai Oilbank disse que ainda não interrompeu o carregamento de petróleo no Oriente Médio.

A China aumentou seus estoques de petróleo nos últimos meses, com as importações atingindo um recorde em dezembro.

Em Taiwan, os fornecedores de petróleo e gás natural liquefeito estão prosseguindo com os envios conforme previsto, afirmou o Ministério da Economia, acrescentando que a percentagem das importações de petróleo e gás do Oriente Médio tem diminuído anualmente.

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((Tradução Redação São Paulo 55 11 56447751))REUTERS RS

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