Com dois meses de guerra, família libanesa deslocada entra em desespero

28 abr 2026 - 11h13

Já ‌se passaram quase dois meses, mas Rabih Khreiss ainda tem dificuldade em reconhecer sua nova vida.

O pai de nove filhos tinha conseguido colocar comida na mesa com sua oficina de automóveis no sul do Líbano, mas agora mal consegue sobreviver em uma ⁠barraca na capital Beirute.

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Como tantas outras pessoas, a família Khreiss fugiu ‌de sua cidade natal de Khiyam, no sul do país, na madrugada de 2 de março, momentos depois de saber que ‌o grupo armado Hezbollah havia disparado ‌contra Israel, o que se tornaria os disparos iniciais de ⁠uma nova guerra.

Khreiss, um mecânico de 45 anos, deduziu rapidamente que Israel bombardearia as cidades do sul do Líbano em retaliação e levou sua família às pressas, apenas com a roupa do corpo.

Ele adivinhou corretamente: os ataques começaram em poucos instantes. O que ‌Khreiss não poderia imaginar era que ainda estaria vivendo nas ruas ‌de Beirute quase dois ⁠meses depois, enquanto ⁠o conflito se arrasta, dependendo de doações.

"Sinto-me como se eu e meus ⁠filhos fôssemos prisioneiros em um ‌quarto, condenados à prisão ‌perpétua. Mas quando chegará o socorro para que possamos sair dessa sentença de prisão perpétua? Ninguém sabe", disse Khreiss.

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Sua família acorda todos os dias em barracas construídas com vigas de ⁠madeira e lonas que chacoalham ameaçadoramente em dias de vento. Sem chuveiros, eles tomam banho em banheiras de plástico e lavam as roupas à mão.

Sua irmã mais velha, que mora com eles, tem câncer, mas sofre para ‌conseguir atendimento médico.

"Estamos vivendo em barracas, sem saber aonde esses dias nos levarão. Começamos a pensar: 'se ao menos acordássemos e ganhássemos ⁠na loteria para podermos sair dessa bagunça'", disse Khreiss.

Apesar de um cessar-fogo mediado pelos EUA, Israel continuou a atacar o Líbano e suas tropas estão ocupando uma faixa do sul, destruindo casas que descrevem como infraestrutura do Hezbollah.

Isso inclui demolições controladas quase diárias em Khiyam, agora quase totalmente arrasada e vazia de sua antiga população de cerca de 10.000 pessoas.

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O Hezbollah, por sua vez, manteve os ataques contra as tropas israelenses no Líbano e no norte de Israel.

Israel e o Hezbollah acusam um ao outro de violar o cessar-fogo, que foi assinado pelos governos israelense e libanês, mas não especificamente pelo Hezbollah.

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