Bessent diz que EUA vão impor sanções mais severas de todos os tempos ao Irã e insta China a cooperar

20 ago 2026 - 13h31
(atualizado às 14h27)
Resumo
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, anunciou que o país aplicará sanções históricas contra o Irã para pressionar o regime, cobrando a cooperação da China, maior compradora do petróleo iraniano. Donald Trump advertiu que punirá nações que apoiarem Teerã. Segundo Bessent, a pressão econômica substitui ações militares e busca conter os preços de energia, enquanto o Irã classificou as ameaças como distração para as crises fiscais internas dos EUA.

Os Estados Unidos vão impor "as sanções mais ‌severas da história" ao Irã, afirmou nesta quinta-feira o secretário do Treasury dos EUA, Scott Bessent, ao instar Pequim a cooperar com Washington.

Bessent disse que dará uma coletiva de imprensa na segunda-feira para discutir os detalhes.

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"É um golpe duplo. Temos o bloqueio (ao Irã) e vamos impor ⁠as sanções mais duras da história", disse Bessent à CNBC. "Isso vai surtir ‌efeito no Irã e vamos derrubar esse regime."

"É hora de nossos aliados e do resto do mundo tomarem uma decisão", disse ele.

O ‌presidente Donald Trump advertiu na quarta-feira sobre ‌consequências econômicas contra qualquer país que oferecesse "qualquer tipo de apoio ⁠ao Irã", enquanto os Estados Unidos buscam resolver uma guerra que iniciaram ao lado de Israel há quase seis meses.

"Acho que os mercados de petróleo estão interpretando erroneamente o que essa pressão econômica significa", disse Bessent à CNBC. Os preços do petróleo subiram para os maiores ‌níveis em mais de três semanas nesta quinta-feira.

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"Temos informações assimétricas, e não ‌sei ao certo por ⁠que o petróleo ⁠reagiu dessa forma", disse Bessent. "Se estivermos exercendo a máxima pressão econômica, isso significa ⁠que provavelmente não haverá um reinício ‌de ações militares em ‌grande escala."

Quando questionado se os Estados Unidos poderão pressionar a China por fazer negócios com o Irã, Bessent disse que muitas conversas devem ser mantidas em privado.

"Estamos confiantes de que todos querem ⁠que o Estreito (de Ormuz) seja reaberto e que os preços da energia voltem a cair", disse ele. "Tenha em mente que os chineses obtêm 50% de sua energia do Golfo. Portanto, seria um grande favor para eles aderirem ao plano."

A ‌embaixada da China em Washington não respondeu imediatamente a um pedido de comentário sobre as declarações de Bessent.

A China compra mais de 80% ⁠do petróleo exportado pelo Irã, de acordo com dados de 2025 da empresa de análise Kpler. Se os EUA se envolvessem em mais uma guerra econômica com a China — um grande exportador para os EUA, inclusive de minerais vitais de terras raras —, correriam o risco de sofrer retaliação.

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O Irã vem resistindo a sanções econômicas severas e contínuas há quase 50 anos, desde a Revolução Islâmica de 1979.

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, classificou os comentários de Trump como uma tentativa de desviar a atenção da opinião pública norte-americana dos problemas financeiros internos, incluindo a dívida recorde e o aumento das taxas de juros.

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