Em Bamako, as ruas estão desertas e explosões são ouvidas de forma intermitente desde as primeiras horas da manhã. Os disparos partem das proximidades da Base Aérea 101, em Senou, área onde também fica localizado o aeroporto de Bamako. As detonações ocorrerem com intervalos de alguns minutos, antes de recomeçarem com a mesma intensidade, observou a AFP.
"Grupos terroristas armados, ainda não identificados, atacaram determinados locais e quartéis na capital e no interior do Mali na manhã de hoje, 25 de abril de 2026", declarou o Exército malinês, em comunicado. "Nossas forças de defesa e segurança estão atualmente empenhadas em neutralizar os agressores", acrescenta o texto.
Em outra nota, as forças armadas afirmaram que "a situação está sob controle", apesar de ainda serem ouvidos tiros, e que "vários terroristas foram neutralizados e armamentos destruídos". Ao meio-dia, helicópteros do Exército que realizaram ataques aéreos continuavam sobrevoando Bamako, nas imediações do aeroporto, segundo constatou um jornalista da AFP.
Conflito dura mais de dez anos
O Mali, país do Sahel governado por uma junta militar, enfrenta há mais de uma década um conflito marcado por violência jihadista.
Neste sábado, combatentes jihadistas e o grupo rebelde malinês Frente de Libertação de Azawad (FLA) lutavam lado a lado contra o Exército. Os rebeldes tuaregues da FLA afirmaram ter assumido o controle da cidade-chave de Kidal, no norte do país, após atacarem esse antigo reduto da rebelião, até então ocupado pelas forças malinesas e por tropas russas.
"A cidade de Kidal passou para o controle de nossas forças armadas", escreveu a FLA em publicação no Facebook.
"Nossas tropas controlam Kidal, ou a maior parte de Kidal. O governador refugiou-se com seus homens no antigo campo da Minusma", missão da ONU encerrada no fim de 2023, disse à AFP Mohamed Elmaouloud Ramadane, porta-voz dos rebeldes.
A AFP não conseguiu verificar essa informação de forma independente. Também neste sábado foram registrados intensos tiroteios em Kati, cidade próxima a Bamako onde está localizada a residência do líder da junta militar, o general Assimi Goïta, segundo testemunhas, uma fonte de segurança e um político ouvidos pela AFP.
"Os tiroteios continuam no quartel militar. Os combates mais intensos ocorrem no bairro de Samakébougou, onde estamos. A área foi tomada por jihadistas, que cercaram o quartel. Trata-se de uma região montanhosa, disse a fonte.
Havia incerteza quanto ao paradeiro do ministro da Defesa, do chefe da inteligência malinesa e do líder da junta militar.
O destino do ministro da Defesa, general Sadio Camara, foi alvo de intensa especulação. Segundo moradores, a residência do ministro foi atingida por uma forte explosão, que causou danos materiais significativos e destruiu grande parte do edifício. Embora tenham circulado rumores de que o oficial de alta patente poderia ter ficado ferido, pessoas próximas a ele negaram formalmente essas informações. De acordo com familiares, o general Camara estava fora de casa no momento da explosão e encontra-se "são e salvo".
Com agências