Com informações do enviado especial da RFI a Calcutá, Abdoollah Earally e agências
A polêmica gira em torno da remoção de cerca de nove milhões de nomes das listas de eleitores em Bengala Ocidental, o equivalente a cerca de 12% do eleitorado.
Oficialmente, a Comissão Eleitoral do país afirma estar à procura de nomes duplicados, mas é acusada pelo governo local de conduzir uma revisão eleitoral com motivação política, que beneficiaria o poder governante em Nova Déli.
O tema ganhou força durante a campanha e continuou a gerar críticas após a abertura das urnas na quinta‑feira, ampliando o debate sobre a integridade do processo eleitoral em regiões socialmente diversas e historicamente marginalizadas.
Eleitores jovens impedidos de votar
Embora líderes da oposição afirmem que a exclusão afeta de maneira desproporcional comunidades muçulmanas e grupos vulneráveis, o fenômeno também atinge eleitores hindus. É o caso de Rani Munda, de 22 anos, moradora de Kendua Lalpalli e integrante de uma comunidade tribal. "Meu avô e minha avó votaram. Desta vez, minha irmã, meu irmão e eu fomos excluídos", disse ela.
Relatos semelhantes se multiplicaram ao longo dos últimos dias, reforçando a percepção de que jovens eleitores e populações rurais foram particularmente impactados pelas revisões eleitorais. Em várias localidades, famílias relatam que integrantes mais velhos permaneceram registrados, enquanto eleitores mais jovens desapareceram das listas sem aviso prévio ou explicações claras.
A Comissão Eleitoral sustenta que os procedimentos seguiram critérios técnicos e legais, mas a escala da remoção de nomes alimentou suspeitas em um contexto político já polarizado. Governos estaduais pedem maior transparência sobre os critérios utilizados e alertam para o risco de deslegitimação do processo democrático.
Com as urnas abertas em parte dos distritos e a apuração marcada para 4 de maio, a controvérsia adiciona tensão a uma eleição acompanhada de perto tanto no plano doméstico quanto internacional, em um momento em que a Índia busca reafirmar sua imagem como a maior democracia do mundo.